Em algum momento da vida, uma pergunta pode começar a ganhar um peso diferente: o que ficará de nós? Não necessariamente em forma de fama, patrimônio ou grandes realizações, mas naquilo que ensinamos, cuidamos, criamos, transmitimos ou ajudamos a continuar.
Para algumas pessoas, essa preocupação aparece na relação com os filhos. Para outras, surge ao orientar alguém mais jovem, ensinar uma profissão, escrever, criar um projeto, cuidar de uma comunidade ou perceber que aquilo que aprenderam ao longo dos anos pode ser útil para outras pessoas.
Na psicologia, existe uma palavra para uma parte importante desse movimento: generatividade.
O conceito ganhou destaque com o psicólogo Erik Erikson, que colocou a generatividade entre os grandes temas do desenvolvimento adulto. Posteriormente, outros pesquisadores ampliaram a ideia e mostraram que ela pode envolver diferentes maneiras de investir em pessoas, projetos e gerações que continuarão existindo além de nós.
Isso não significa, porém, que uma pessoa precise construir um grande legado para ter uma vida significativa. A generatividade talvez se torne mais interessante justamente quando retiramos dela essa obrigação de grandeza. Ensinar alguma coisa, cuidar de alguém, transmitir uma experiência, contribuir para uma comunidade ou criar algo que possa ser útil já são formas possíveis de participar de um futuro que não será exclusivamente nosso.
O que é generatividade?
Generatividade pode ser entendida como a preocupação e o envolvimento com a criação, orientação ou sustentação de algo que contribua para outras pessoas e para as gerações seguintes.
A parentalidade é uma das manifestações mais evidentes dessa ideia, mas está longe de ser a única. Um professor que dedica parte da vida à formação de estudantes pode expressar generatividade. O mesmo pode acontecer com alguém que ensina um ofício, orienta profissionais mais jovens, preserva conhecimentos, participa de iniciativas comunitárias, desenvolve algo útil ou cuida de pessoas que dependem de sua experiência.
Há uma diferença importante entre simplesmente produzir alguma coisa e agir de maneira generativa. O conceito envolve, em alguma medida, continuidade. Aquilo que fazemos alcança outra pessoa, outra geração ou alguma realidade que seguirá existindo depois da nossa participação direta.
Por isso, a generatividade toca em uma questão profundamente humana: a possibilidade de nossa existência produzir consequências que ultrapassem o limite imediato da nossa própria vida.
Erik Erikson e a ideia de generatividade versus estagnação
Erik Erikson ficou conhecido por propor uma teoria do desenvolvimento psicossocial segundo a qual diferentes períodos da vida apresentam conflitos ou tarefas características. A generatividade aparece no sétimo estágio de seu modelo, tradicionalmente associado à vida adulta, especialmente à meia-idade.
Erikson descreveu esse estágio por meio da tensão entre generatividade e estagnação. De um lado estaria o investimento no cuidado, na criação e na orientação daquilo que continuará; de outro, uma maior concentração no próprio indivíduo, acompanhada da sensação de pouca contribuição ou desenvolvimento.
É importante, entretanto, não transformar o modelo de Erikson em uma sequência rígida pela qual todas as pessoas obrigatoriamente passam da mesma maneira. A psicologia do desenvolvimento avançou muito desde a formulação original da teoria, e pesquisas posteriores encontraram uma realidade mais complexa.
Um estudo longitudinal publicado em The Gerontologist, por exemplo, acompanhou dados de 861 participantes e investigou como a preocupação generativa se desenvolvia da meia-idade para períodos posteriores da vida. Os resultados ajudam a mostrar que a generatividade não deve ser compreendida simplesmente como algo que surge em determinada idade, atinge um ponto máximo e depois desaparece.
Em outras palavras, Erikson forneceu uma ideia extremamente influente, mas a pesquisa posterior passou a investigar a generatividade como um fenômeno que pode assumir formas diferentes ao longo da vida adulta.
A generatividade é mais complexa do que simplesmente “deixar um legado”
Em 1992, os psicólogos Dan McAdams e Ed de St. Aubin publicaram um trabalho que se tornou uma referência importante no estudo científico da generatividade. Em vez de tratá-la como uma característica simples, propuseram um modelo formado por sete elementos inter-relacionados.
Entre eles estavam as expectativas culturais, desejos internos, preocupação generativa, crenças relacionadas à continuidade humana, compromisso, ações generativas e a maneira como a pessoa incorpora essas experiências à narrativa da própria vida.
Os pesquisadores também desenvolveram a Loyola Generativity Scale, instrumento criado para avaliar diferenças individuais na preocupação generativa. No estudo original, essa medida apresentou associação com relatos de comportamentos concretos, como ensinar habilidades a outras pessoas, e com temas generativos encontrados nas histórias autobiográficas dos participantes.
Essa abordagem ajuda a perceber que generatividade não é apenas pensar: “quero ser lembrado quando morrer”. Uma pessoa pode ter pouco interesse em reconhecimento póstumo e, ainda assim, dedicar grande parte da vida a formar pessoas, transmitir conhecimento ou melhorar as condições que outras encontrarão no futuro.
O foco deixa de estar somente na memória de quem contribui e passa também para aquilo que continua por causa da contribuição.
Ter filhos não é requisito para ser generativo
Uma das interpretações mais limitadas do conceito seria imaginar que generatividade é simplesmente outro nome para parentalidade.
Ter e criar filhos certamente pode representar uma das expressões mais importantes de generatividade. A própria continuidade entre gerações ocupa lugar central na origem do conceito. Mas restringi-lo à reprodução deixaria de fora grande parte daquilo que pesquisadores passaram a considerar comportamento generativo.
Uma pessoa sem filhos pode passar décadas ensinando. Pode orientar profissionais que depois orientarão outros. Pode escrever livros, preservar uma tradição cultural, desenvolver conhecimento, cuidar de sobrinhos, apoiar pessoas mais jovens, participar de organizações sociais ou construir alguma coisa que continuará beneficiando pessoas que ela talvez nunca conheça.
Até mesmo dentro das famílias, generatividade não depende exclusivamente da relação entre pais e filhos. Avós, tios, irmãos mais velhos e outras figuras podem exercer papéis importantes na transmissão de experiências, valores, histórias e conhecimentos.
O elemento central não é necessariamente reproduzir-se biologicamente, mas investir alguma parte de si na continuidade e no desenvolvimento de algo além de si mesmo.
Ensinar talvez seja uma das formas mais claras de generatividade
Pense em alguma coisa que você sabe fazer hoje porque outra pessoa teve paciência para ensinar.
Pode ser uma profissão, uma receita, uma maneira de resolver determinado problema, uma habilidade manual, um conhecimento técnico ou até uma forma diferente de compreender uma situação. Em muitos casos, aquilo que recebemos de alguém continua sendo utilizado muito depois de o momento de aprendizagem ter terminado.
Essa transmissão é um exemplo particularmente intuitivo de generatividade.
Quando uma pessoa ensina algo que levou anos para aprender, parte de sua experiência deixa de permanecer exclusivamente nela. O conhecimento passa a integrar o repertório de outra pessoa, que poderá modificá-lo, utilizá-lo e eventualmente transmiti-lo novamente.
Isso ajuda a explicar por que a generatividade também pode aparecer no trabalho. Profissionais experientes podem encontrar uma forma de contribuição não apenas naquilo que produzem diretamente, mas na formação de colegas mais jovens, no compartilhamento de conhecimentos acumulados e na criação de condições para que outras pessoas façam melhor aquilo que um dia eles próprios aprenderam a fazer.
Não é preciso ocupar formalmente a posição de professor ou mentor. Muitas transmissões importantes acontecem em conversas, exemplos, pequenos conselhos e demonstrações aparentemente banais.
Generatividade também pode existir na criação
Criar é outra maneira pela qual algo pode ultrapassar o indivíduo que o produziu. Livros, pesquisas, obras artísticas, empresas, métodos, ferramentas, projetos sociais e inúmeras outras realizações podem continuar circulando depois que seus criadores deixam de participar diretamente delas.
Mas nem toda criação precisa alcançar milhares de pessoas para ter esse caráter. Uma pessoa pode organizar a história da própria família para que gerações futuras a conheçam. Outra pode registrar conhecimentos sobre um ofício. Alguém pode desenvolver um pequeno projeto que facilite a vida de sua comunidade.
O tamanho da audiência não determina sozinho o valor generativo de uma contribuição.
Esse ponto é especialmente relevante em uma cultura na qual “deixar um legado” costuma ser associado a visibilidade, sucesso extraordinário ou reconhecimento público. Se levarmos essa lógica ao extremo, apenas uma parcela minúscula da humanidade poderia ser considerada generativa.
A psicologia do conceito permite uma interpretação muito mais cotidiana: contribuir para a continuidade não exige tornar-se historicamente importante.
Qual é a relação entre generatividade, propósito e bem-estar?
É tentador afirmar que pessoas generativas são automaticamente mais felizes. A ciência, porém, exige mais cuidado.
Estudos encontraram associações entre generatividade e diferentes indicadores de bem-estar, satisfação com a vida, sentido e adaptação psicossocial. Uma pesquisa com pessoas de 50 anos ou mais, por exemplo, encontrou relações significativas entre medidas de generatividade, sentido de vida e satisfação com a vida.
Esses resultados são interessantes, mas não significam que simplesmente aumentar comportamentos generativos necessariamente produzirá felicidade. Pessoas que já possuem maior bem-estar podem ter mais recursos emocionais, sociais ou materiais para investir nos outros. Características pessoais e condições de vida também podem influenciar simultaneamente generatividade e bem-estar.
Além disso, contribuir pode exigir esforço. Cuidar de outras pessoas, ensinar, orientar, criar ou assumir responsabilidades sociais não produz apenas sentimentos agradáveis. Muitas atividades generativas envolvem cansaço, frustração e renúncia.
Talvez a relação mais interessante não esteja na busca imediata por prazer, mas na possibilidade de perceber que a própria existência está conectada a alguma coisa que continua para além das necessidades do momento.
Por que a generatividade pode ganhar importância com o passar dos anos?
Durante parte da juventude, muitas decisões estão naturalmente concentradas na construção da própria vida: estudar, trabalhar, estabelecer relacionamentos, conquistar independência, descobrir interesses e criar condições para o futuro.
Com o passar dos anos, outra perspectiva pode começar a dividir espaço com essas preocupações. A pessoa já acumulou experiências, conhecimentos, relações, erros e competências. Surge então a possibilidade de perguntar não apenas “o que ainda quero receber da vida?”, mas também “o que posso fazer com aquilo que recebi e aprendi?”.
Isso não acontece da mesma maneira com todo mundo, nem precisa aparecer em determinada idade. Ainda assim, ajuda a entender por que Erikson colocou a generatividade em uma posição importante na vida adulta.
Há também uma realidade inevitável por trás dessa mudança: à medida que envelhecemos, a percepção de que nosso tempo é limitado pode se tornar mais concreta. Projetos, conhecimentos e relações começam a ser vistos dentro de uma escala temporal que não termina necessariamente conosco.
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Explorar livros e análises →Nesse contexto, contribuir para algo que continua pode oferecer uma forma diferente de relação com o tempo. Não porque nos torne imortais, mas porque algumas consequências das nossas ações podem ultrapassar nossa presença direta.
E o que seria a estagnação?
Na formulação de Erikson, a contraposição à generatividade é a estagnação. Em uma interpretação simplificada, poderíamos imaginar uma pessoa generativa de um lado e uma pessoa estagnada do outro.
Pesquisas recentes sugerem que a realidade pode não ser tão simples.
Um estudo publicado em 2025 na revista Acta Psychologica desenvolveu medidas de generatividade e estagnação especificamente voltadas a pessoas com 60 anos ou mais. Os pesquisadores realizaram dois estudos, cada um com 235 participantes, e encontraram evidências de que generatividade e estagnação podem ser mais adequadamente avaliadas como dimensões separadas, e não apenas como extremos opostos de uma única característica.
Essa descoberta oferece uma atualização interessante para a interpretação tradicional de Erikson. Uma pessoa pode apresentar aspectos generativos em determinadas áreas e, ao mesmo tempo, experimentar sentimentos de estagnação em outras.
Isso parece muito mais próximo da experiência humana real. Alguém pode ser profundamente generativo na família e sentir que parou de crescer profissionalmente. Outra pessoa pode contribuir intensamente para sua profissão enquanto percebe pouca continuidade em outros aspectos da vida.
Em vez de dividir as pessoas entre “generativas” e “estagnadas”, talvez seja mais útil observar como esses processos aparecem em diferentes momentos e contextos.
Generatividade não deve se transformar em mais uma obrigação
Existe um risco curioso ao conhecer esse conceito: transformar generatividade em mais uma cobrança.
Depois de tantas exigências para sermos produtivos, bem-sucedidos, disciplinados, saudáveis, interessantes e realizados, poderíamos acrescentar outra: agora também precisamos deixar um legado.
Essa não é uma conclusão necessária.
O estudo da generatividade descreve uma dimensão importante do desenvolvimento e da experiência humana; ele não estabelece uma obrigação moral segundo a qual todas as pessoas devem dedicar a vida às gerações futuras. Tampouco determina que quem não deseja ter filhos, ensinar, liderar ou construir algo duradouro esteja vivendo de maneira inferior.
Além disso, existe diferença entre contribuição e sacrifício permanente. Cuidar dos outros não exige abandonar completamente as próprias necessidades. Ensinar não significa estar sempre disponível. Ser generativo não deveria significar transformar a própria vida em instrumento para a vida alheia.
Uma contribuição saudável pode coexistir com limites, interesses pessoais e períodos nos quais precisamos voltar a atenção para nós mesmos.
Talvez você já esteja deixando algo no mundo sem perceber
Quando pensamos em legado, nossa imaginação tende a procurar coisas grandes. Um livro famoso. Uma empresa. Uma descoberta. Uma obra. Uma instituição. Um nome lembrado durante gerações.
Mas grande parte daquilo que recebemos das pessoas não funciona assim.
Talvez alguém tenha lhe ensinado uma maneira de pensar que você ainda utiliza. Talvez uma professora tenha despertado um interesse que influenciou escolhas posteriores. Talvez um parente tenha transmitido uma habilidade, uma história ou uma forma de enfrentar dificuldades. Talvez um antigo colega tenha explicado alguma coisa em poucos minutos e você continue repetindo aquela explicação para outras pessoas anos depois.
É possível que nenhuma dessas pessoas tenha percebido a extensão do que deixou.
Essa é uma das características mais interessantes da generatividade: nem sempre temos acesso às consequências daquilo que transmitimos.
Uma contribuição pode continuar circulando sem carregar o nome de quem a iniciou. Um conhecimento pode passar de pessoa para pessoa. Uma atitude pode ser reproduzida. Uma oportunidade oferecida a alguém pode influenciar outras pessoas décadas depois.
Nesse sentido, deixar algo no mundo não significa necessariamente ser lembrado. Às vezes significa apenas que alguma coisa ficou.
Precisamos realmente deixar um legado?
A resposta depende do que chamamos de legado.
Se legado significar construir algo grandioso, ser admirado depois da morte ou produzir uma contribuição histórica, certamente não. A imensa maioria das pessoas que já viveu não deixou seu nome registrado na história, e isso não torna suas vidas menos humanas ou necessariamente menos significativas.
Mas, se entendermos legado em um sentido mais amplo — como as consequências que nossa passagem produz nas pessoas e ambientes dos quais participamos — então dificilmente atravessamos a vida sem deixar alguma coisa.
O conceito de generatividade nos convida a olhar justamente para essa dimensão relacional da existência. Parte daquilo que somos foi construída com materiais recebidos de outras pessoas: linguagem, conhecimento, cuidado, exemplos, valores, técnicas, histórias, oportunidades e experiências. Durante algum tempo somos principalmente receptores desse enorme patrimônio humano. Em algum momento, também podemos nos tornar transmissores.
E aquilo que transmitimos não precisa permanecer intacto. As gerações seguintes podem modificar nossas ideias, rejeitar algumas delas, melhorar outras e criar coisas que jamais imaginaríamos.
Talvez esse seja um dos aspectos mais interessantes da generatividade: contribuir para o futuro não significa controlá-lo.
Uma pergunta diferente sobre propósito
Quando falamos em propósito de vida, a pergunta geralmente se volta para o indivíduo: “o que quero fazer da minha vida?”
A generatividade acrescenta outra perspectiva: “o que minha vida pode oferecer para além de mim?”
As duas perguntas não precisam competir. Podemos buscar experiências, prazer, conhecimento, relações e projetos pessoais enquanto também participamos de algo que beneficia outras pessoas. Uma vida não precisa ser inteiramente altruísta para conter generatividade, assim como não precisa produzir um legado extraordinário para ter consequências.
Talvez a mudança esteja menos em encontrar uma missão grandiosa e mais em perceber que conhecimento, cuidado e experiência podem circular.
Você aprende alguma coisa e ensina. Recebe uma oportunidade e, quando possível, cria outra. É ajudado em determinado momento e posteriormente se torna capaz de ajudar. Desenvolve uma ideia que outra pessoa transforma. Cuida de alguém que um dia cuidará de outros.
Nenhuma dessas cadeias depende de reconhecimento público para existir.
Conclusão
Generatividade é um conceito da psicologia do desenvolvimento associado à preocupação em criar, cuidar, orientar e contribuir para aquilo que continuará além do próprio indivíduo. Erik Erikson tornou a ideia conhecida ao colocá-la no centro da tensão entre generatividade e estagnação durante a vida adulta, enquanto pesquisadores posteriores ampliaram e testaram diferentes aspectos do conceito.
A pesquisa disponível sugere relações entre generatividade e diferentes dimensões do bem-estar e mostra que ela pode se manifestar de diversas maneiras ao longo da vida. Ao mesmo tempo, as evidências não justificam transformar o conceito em uma fórmula para felicidade, nem em uma obrigação de construir um legado.
Talvez seu valor esteja justamente em oferecer uma maneira diferente de pensar sobre nossa relação com o tempo e com outras pessoas.
Passamos os primeiros anos da vida recebendo quase tudo: linguagem, cuidado, conhecimento, cultura, oportunidades e referências. Ao longo do caminho, adquirimos experiências que passam a ser nossas. Algumas desaparecem conosco; outras podem ser transmitidas.
E talvez deixar algo no mundo não signifique garantir que nosso nome permaneça.
Pode significar simplesmente fazer com que alguma coisa boa continue.
Veja também
Cérebro: Uma Biografia, de David Eagleman — Uma leitura complementar sobre como experiências, aprendizagem e passagem do tempo participam da construção de quem somos ao longo da vida.
É Possível Ter Propósito na Vida Sem Religião? — Aprofunda a discussão sobre propósito, significado e as diferentes maneiras de construir uma vida percebida como valiosa.
Pense de Novo, de Adam Grant — Complementa a reflexão sobre desenvolvimento adulto ao mostrar a importância de continuar aprendendo, revendo ideias e transmitindo conhecimento sem se prender a certezas antigas.
O Poder do Hábito, de Charles Duhigg — Ajuda a entender como comportamentos repetidos, contexto e aprendizagem moldam aquilo que construímos e transmitimos ao longo da vida.
Como Aproveitar Mais a Vida Mesmo Quando Nem Tudo Está Bem — Amplia a discussão para a relação entre sentido, presença e a maneira como escolhemos viver enquanto ainda estamos construindo nossa história.
Perguntas frequentes sobre generatividade
O que é generatividade na psicologia?
Generatividade é um conceito da psicologia do desenvolvimento relacionado à preocupação em criar, cuidar, orientar ou contribuir para algo que possa beneficiar outras pessoas e continuar além do próprio indivíduo. A ideia ficou especialmente conhecida por meio da teoria de Erik Erikson.
O que significa generatividade versus estagnação?
Na teoria de Erik Erikson, generatividade e estagnação representam uma tensão importante da vida adulta. A generatividade envolve contribuição, cuidado e continuidade, enquanto a estagnação está associada à sensação de pouca participação no crescimento de outras pessoas ou de algo que ultrapasse o próprio indivíduo.
Generatividade significa ter filhos?
Não. A parentalidade pode ser uma forma de generatividade, mas o conceito é mais amplo. Ensinar, orientar, criar, preservar conhecimento, participar de uma comunidade ou ajudar outras pessoas a se desenvolver também podem ser formas de expressão generativa.
A generatividade aparece apenas na meia-idade?
Não necessariamente. Erikson deu destaque à generatividade na vida adulta e especialmente na meia-idade, mas pesquisas posteriores indicam que ela pode se manifestar em diferentes fases da vida adulta, inclusive em idades mais avançadas.
Generatividade tem relação com propósito de vida?
Sim, pode haver relação. Estudos encontraram associações entre generatividade, sentido de vida, satisfação e outros indicadores de bem-estar. Isso não significa, porém, que ser generativo automaticamente produza felicidade ou propósito.
Como uma pessoa pode desenvolver mais generatividade?
Algumas possibilidades incluem compartilhar conhecimentos, orientar alguém, participar de projetos comunitários, cuidar de outras pessoas, criar algo útil ou transmitir experiências adquiridas ao longo da vida. O mais importante não é a grandiosidade da contribuição, mas sua capacidade de alcançar algo além do próprio indivíduo.
É preciso deixar um legado para ter uma vida significativa?
Não. A psicologia da generatividade não estabelece que todas as pessoas precisem construir um grande legado. Uma vida pode ser significativa de muitas maneiras. A generatividade apenas descreve uma dimensão possível da experiência humana: a vontade de contribuir para algo que continue além de nós.

Referências científicas
McAdams, D. P., & de St. Aubin, E. (1992). A theory of generativity and its assessment through self-report, behavioral acts, and narrative themes in autobiography. Journal of Personality and Social Psychology, 62(6), 1003–1015. DOI: 10.1037/0022-3514.62.6.1003.
Becchetti, L., & Bellucci, D. (2021). Generativity, aging and subjective well-being. International Review of Economics, 68, 141–184. DOI: 10.1007/s12232-020-00358-6.
Villar, F., Requena, C., González-González, E., & Fernándes-Pires, J. A. (2025). Development and validation of scales to measure generativity and stagnation in later life. Acta Psychologica, 258, 105171. DOI: 10.1016/j.actpsy.2025.105171.
Development of Generative Concern Across Mid- to Later Life (2021). The Gerontologist, 61(3), 430–438. DOI: 10.1093/geront/gnaa115.


