Por que é tão fácil aconselhar os outros e tão difícil aconselhar a nós mesmos?
Quase todo mundo já viveu esta situação.
Um amigo procura você para conversar. Ele está inseguro sobre o futuro, enfrentando um problema no relacionamento ou precisa tomar uma decisão importante. Enquanto escuta a história, as ideias começam a surgir com relativa facilidade. Você faz perguntas, considera diferentes possibilidades e, muitas vezes, consegue oferecer um conselho equilibrado.
Alguns dias depois, é você quem enfrenta um problema semelhante.
Desta vez, porém, a clareza desaparece. As emoções parecem ocupar todo o espaço, surgem dúvidas que antes pareciam simples de responder e a decisão se torna muito mais difícil.
Por que isso acontece?
Essa pergunta intrigou psicólogos durante muitos anos. Em 2014, pesquisadores da Universidade de Waterloo e da Universidade de Michigan demonstraram que as pessoas tendem a apresentar um raciocínio mais equilibrado quando analisam problemas de outras pessoas do que quando refletem sobre os próprios conflitos. Esse fenômeno ficou conhecido como Paradoxo de Salomão. Grossmann & Kross (2014).
A descoberta levou a uma nova questão.
Seria possível olhar para os próprios problemas com a mesma objetividade que usamos ao aconselhar outra pessoa?
Foi tentando responder a essa pergunta que pesquisadores começaram a estudar um fenômeno pouco conhecido fora da psicologia: o ileísmo.
O que é ileísmo?
Apesar do nome pouco familiar, o conceito é bastante simples.
Ileísmo é o ato de falar consigo mesmo utilizando a terceira pessoa, em vez da primeira.
Na prática, significa substituir pensamentos como:
“Eu preciso manter a calma.”
por:
“Mariana precisa manter a calma.”
Ou trocar:
“O que eu devo fazer agora?”
por:
“O que Mariana deveria fazer agora?”
Durante muito tempo, o ileísmo foi estudado apenas como uma figura de linguagem. Escritores utilizavam esse recurso para construir personagens, líderes políticos recorriam à terceira pessoa para reforçar autoridade e alguns textos históricos empregavam essa forma de narrativa por razões estilísticas.
Nos últimos anos, porém, o tema passou a interessar também à psicologia cognitiva.
O motivo não está na linguagem em si, mas em uma hipótese bastante curiosa: será que mudar a forma como conversamos conosco pode alterar a maneira como pensamos?
A ciência começou pelo diálogo interno
Mesmo quando estamos em silêncio, nossa mente dificilmente está.
Ao longo do dia, mantemos uma conversa constante conosco. Planejamos tarefas, lembramos acontecimentos, antecipamos problemas, avaliamos decisões e tentamos entender o que estamos sentindo.
Os psicólogos chamam esse processo de diálogo interno.
Ele desempenha um papel importante em funções como planejamento, memória, resolução de problemas e regulação das emoções. Justamente por isso, passou a ser investigado por diferentes áreas da psicologia e da neurociência.
Entre os pesquisadores que mais contribuíram para esse campo está o psicólogo Ethan Kross, da Universidade de Michigan. Em vez de estudar técnicas complexas de controle emocional, ele decidiu investigar algo aparentemente banal: a forma como nos dirigimos a nós mesmos durante o diálogo interno.
A pergunta era simples.
Se a linguagem influencia a maneira como interpretamos o mundo, ela também poderia influenciar a forma como interpretamos nossos próprios problemas?
Para testar essa hipótese, Kross e sua equipe realizaram uma série de experimentos.
Os participantes eram convidados a enfrentar situações potencialmente estressantes, como preparar um discurso ou refletir sobre experiências difíceis. A única diferença entre os grupos estava na linguagem utilizada durante o diálogo interno.
Enquanto um grupo pensava utilizando “eu”, o outro era orientado a usar o próprio nome.
Os resultados chamaram a atenção dos pesquisadores.
Em diferentes experimentos, os participantes que utilizaram a terceira pessoa relataram menor sofrimento emocional diante de algumas situações estressantes e passaram a interpretar certos desafios como menos ameaçadores. Em tarefas de apresentação em público, avaliadores independentes também classificaram seu desempenho como superior ao do grupo que utilizou a primeira pessoa. Kross et al. (2014).
Esses resultados não significam que falar consigo mesmo pelo nome elimina a ansiedade ou melhora automaticamente a tomada de decisões.
Na verdade, os próprios autores fazem questão de destacar os limites das conclusões. Os experimentos mostram que uma mudança aparentemente pequena na linguagem pode favorecer uma forma diferente de interpretar determinadas situações, mas isso não significa que seus efeitos sejam universais ou permanentes.
Ainda assim, as descobertas foram suficientes para abrir uma nova linha de pesquisa sobre um conceito que ajuda a explicar por que o ileísmo pode funcionar em algumas circunstâncias: o distanciamento psicológico.
O que é distanciamento psicológico?
Imagine que você está tentando montar um quebra-cabeça com o rosto a poucos centímetros da mesa.
Você enxerga as peças, mas tem dificuldade para perceber a imagem completa.
Basta afastar um pouco o olhar para que as conexões comecem a aparecer.
Segundo a psicologia, algo semelhante pode acontecer quando refletimos sobre nossos próprios problemas.
Quando estamos emocionalmente envolvidos em uma situação, nossa atenção tende a ficar concentrada nos aspectos mais imediatos da experiência: o medo de errar, a frustração, a insegurança ou a expectativa sobre o que pode acontecer. Esse foco intenso pode dificultar uma análise mais ampla do problema.
O distanciamento psicológico é justamente a capacidade de observar uma situação a partir de uma perspectiva menos imersa emocionalmente.
É importante entender o que isso não significa.
Distanciar-se não é ignorar sentimentos, fingir que eles não existem ou evitar enfrentar um problema.
A proposta é diferente: criar espaço suficiente para analisar uma situação sem ser completamente dominado pela reação emocional do momento.
Uma revisão publicada na revista Neuroscience & Biobehavioral Reviews descreve o distanciamento como uma das estratégias de regulação emocional mais estudadas atualmente. Segundo os autores, mudar a perspectiva a partir da qual observamos uma experiência pode alterar a forma como ela é processada emocionalmente, embora ainda existam muitas perguntas em aberto sobre seus mecanismos e aplicações. Powers & LaBar (2019).
É nesse contexto que o ileísmo ganhou importância.
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Explorar livros e análises →Os pesquisadores passaram a investigar se falar consigo mesmo utilizando o próprio nome poderia ser uma maneira simples de produzir esse pequeno afastamento psicológico.
Uma palavra pode mudar a perspectiva?
À primeira vista, a ideia parece improvável.
Afinal, trocar “eu” pelo próprio nome parece um detalhe pequeno demais para produzir qualquer efeito relevante.
Foi justamente por isso que Ethan Kross decidiu testar essa hipótese experimentalmente.
Em uma série de estudos, sua equipe convidou voluntários para enfrentar situações que normalmente provocam desconforto, como falar em público ou refletir sobre experiências negativas.
A diferença entre os grupos era mínima.
Enquanto um deles utilizava frases iniciadas por “eu”, o outro era orientado a utilizar o próprio nome durante o diálogo interno.
Os resultados mostraram um padrão interessante.
Quem utilizou a terceira pessoa descreveu algumas situações como menos ameaçadoras e relatou menor sofrimento emocional durante determinadas tarefas. Em uma das etapas da pesquisa, avaliadores externos também classificaram como melhor o desempenho dos participantes que recorreram ao diálogo interno distanciado antes de fazer um discurso. Kross et al. (2014).
Esses resultados despertaram interesse porque a intervenção era extremamente simples.
Os participantes não passaram por semanas de treinamento nem aprenderam técnicas complexas de regulação emocional.
A única mudança consistia na forma de construir o diálogo interno.
Naturalmente, isso não significa que o ileísmo seja uma solução para qualquer dificuldade emocional.
Os próprios autores ressaltam que os efeitos observados ocorreram em condições experimentais específicas e que são necessários novos estudos para compreender quando essa estratégia funciona melhor, para quem ela é mais útil e quais são seus limites.
O que acontece no cérebro quando usamos o próprio nome?
Depois de observar mudanças no comportamento dos participantes, os pesquisadores deram um passo além.
A questão agora era descobrir se essa diferença também poderia ser identificada no cérebro.
Para isso, utilizaram técnicas como a eletroencefalografia (EEG), que registra a atividade elétrica cerebral, e a ressonância magnética funcional (fMRI), capaz de mostrar quais regiões apresentam maior atividade durante uma tarefa.
Os participantes foram convidados a observar imagens desagradáveis e a recordar experiências pessoais negativas enquanto utilizavam o diálogo interno na primeira ou na terceira pessoa.
Os resultados indicaram que o uso da terceira pessoa esteve associado à redução de alguns marcadores relacionados ao processamento emocional e autorreferencial. Um dos aspectos que chamou a atenção dos pesquisadores foi que essa mudança ocorreu sem evidências de aumento importante do esforço cognitivo normalmente associado a outras estratégias de regulação emocional. Moser et al. (2017).
É importante interpretar esses resultados corretamente.
O estudo não mostrou que falar consigo mesmo na terceira pessoa “ativa” uma área específica da sabedoria nem que “reprograma” o cérebro, como algumas publicações sugerem.
O que os pesquisadores observaram foi uma alteração em determinados indicadores neurais durante tarefas experimentais.
Essa distinção é importante porque ajuda a separar o que a pesquisa realmente demonstrou daquilo que ainda pertence ao campo das interpretações exageradas.
O que a ciência realmente sabe sobre o ileísmo?

Embora as pesquisas ainda sejam relativamente recentes, já é possível separar aquilo que possui respaldo científico daquilo que continua sendo apenas especulação.
Até o momento, os estudos sugerem que o ileísmo pode:
- favorecer o distanciamento psicológico durante a reflexão sobre problemas pessoais; Kross et al. (2014);
- reduzir alguns indicadores de reatividade emocional em situações experimentais; Moser et al. (2017);
- estimular formas de raciocínio mais equilibradas ao aproximar a perspectiva utilizada para analisar problemas próprios daquela empregada ao aconselhar outras pessoas. Grossmann & Kross (2014).
Por outro lado, também é importante reconhecer aquilo que a ciência ainda não demonstrou.
Não existem evidências suficientes para afirmar que o ileísmo trate ansiedade, depressão ou qualquer outro transtorno mental. Também não há comprovação de que aumente automaticamente a autoestima, promova autoconhecimento profundo ou produza mudanças permanentes na personalidade.
Essa diferença entre evidência e hipótese é justamente o que torna o tema tão interessante.
O ileísmo não parece ser uma técnica milagrosa.
Mas também está longe de ser apenas uma curiosidade linguística.
Ele representa uma janela para compreender como pequenas mudanças na linguagem podem influenciar processos psicológicos muito mais complexos.
Por que aconselhar um amigo costuma ser mais fácil?
Vale a pena voltar ao ponto de partida deste artigo.
Imagine que um amigo conte a você que está pensando em pedir demissão. Ele gosta do trabalho, mas sente que deixou de crescer profissionalmente. Ao mesmo tempo, tem medo de trocar a estabilidade por uma oportunidade incerta.
Enquanto escuta a história, você provavelmente faz perguntas como:
- Quais são os riscos reais?
- Quais oportunidades podem surgir?
- O medo está baseado em fatos ou em suposições?
- O que será mais importante daqui a cinco anos?
Agora imagine exatamente o mesmo dilema, mas acontecendo com você.
As perguntas mudam.
Em vez de analisar possibilidades, a mente costuma se concentrar nas consequências imediatas.
“E se eu me arrepender?”
“E se der tudo errado?”
“E se eu estiver cometendo um erro?”
Essa mudança de foco ajuda a explicar por que nossos problemas parecem maiores quando somos nós que os vivemos.
As emoções não apenas acompanham o pensamento. Elas influenciam a forma como interpretamos as informações disponíveis.
O ileísmo parece funcionar justamente porque modifica, ainda que discretamente, esse ponto de observação.
Ao perguntar “O que Marcelo faria nesta situação?”, a pessoa deixa de formular a questão exclusivamente a partir do “eu” e passa a analisá-la de uma posição psicologicamente mais distante.
Isso não elimina o componente emocional da decisão.
Mas pode reduzir a sensação de que existe apenas uma resposta possível.
Como experimentar o ileísmo no cotidiano
Uma das características mais interessantes dessa linha de pesquisa é que ela não depende de equipamentos sofisticados nem de longos treinamentos.
A estratégia investigada pelos pesquisadores é extremamente simples e pode ser aplicada em situações do dia a dia.
Isso não significa que ela funcionará para todas as pessoas ou em qualquer contexto. Mas pode ser um exercício útil para observar como pequenas mudanças na linguagem influenciam nossa forma de pensar.
Antes de tomar uma decisão
Quando estiver diante de uma escolha importante, experimente reformular a pergunta que normalmente faria a si mesmo.
Em vez de pensar:
“O que eu devo fazer?”
experimente perguntar:
“O que André deveria considerar antes de decidir?”
A mudança parece pequena, mas pode incentivar uma análise menos impulsiva e mais aberta a diferentes possibilidades.
Depois de um conflito
Discussões costumam provocar interpretações rápidas e intensas.
Logo após um conflito, é comum acreditarmos que nossa versão dos fatos é a única possível.
Nesse momento, utilizar o próprio nome pode ajudar a reconstruir mentalmente a situação.
Por exemplo:
“O que Patrícia pode ter deixado de perceber durante essa conversa?”
Observe que a pergunta não procura determinar quem está certo ou errado.
Ela apenas amplia o campo de observação.
Ao lidar com situações de estresse
Antes de uma apresentação, entrevista de emprego ou conversa difícil, muitas pessoas entram em um ciclo de pensamentos repetitivos.
Substituir frases como “Eu não vou conseguir” por “Rafael já enfrentou desafios parecidos antes. Como ele pode se preparar melhor?” pode favorecer uma postura mais analítica diante da situação.
Nos experimentos conduzidos por Ethan Kross e colaboradores, participantes que utilizaram esse tipo de diálogo interno relataram menor sofrimento emocional durante tarefas socialmente estressantes. Kross et al. (2014).
É importante lembrar que esses resultados foram observados em condições específicas de pesquisa. Eles não significam que a estratégia produzirá o mesmo efeito em todas as pessoas ou circunstâncias.
O que o ileísmo não faz
À medida que o tema ganhou popularidade, surgiram interpretações que extrapolam aquilo que as pesquisas realmente demonstraram.
Algumas afirmam que falar consigo mesmo na terceira pessoa elimina a ansiedade, fortalece a autoestima ou acelera o autoconhecimento.
Até o momento, essas afirmações não encontram respaldo sólido na literatura científica.
As evidências disponíveis mostram efeitos relacionados principalmente ao distanciamento psicológico e à autorregulação emocional em determinadas tarefas experimentais.
Isso é bastante diferente de afirmar que o ileísmo seja uma técnica terapêutica.
Também não existem evidências de que ele substitua psicoterapia, acompanhamento médico ou intervenções psicológicas baseadas em pesquisas clínicas.
Reconhecer esses limites é fundamental.
A divulgação científica perde credibilidade quando transforma resultados promissores em promessas definitivas.
No caso do ileísmo, a literatura disponível é suficiente para justificar o interesse pelo tema, mas ainda insuficiente para sustentar conclusões amplas sobre seus efeitos no longo prazo.
Mais do que uma técnica, uma mudança de perspectiva

Talvez o aspecto mais interessante do ileísmo seja que ele nos obriga a olhar para uma questão que normalmente passa despercebida.
Nós não apenas pensamos.
Nós pensamos sobre nós mesmos.
E a maneira como conduzimos esse diálogo interno pode influenciar nossa interpretação da realidade.
Isso não significa que basta trocar uma palavra para resolver problemas complexos.
Mas sugere que pequenas mudanças na forma de organizar o pensamento podem produzir efeitos mensuráveis em determinadas circunstâncias.
Essa é uma ideia relativamente nova na psicologia experimental e continua sendo investigada por diferentes grupos de pesquisa.
À medida que novos estudos forem publicados, compreenderemos melhor quando o ileísmo pode ser útil, quais são seus limites e de que forma ele pode contribuir para estratégias mais amplas de regulação emocional.
Conclusão
À primeira vista, o ileísmo parece apenas uma curiosidade da linguagem. Afinal, trocar “eu” pelo próprio nome dificilmente parece algo capaz de despertar o interesse da psicologia.
Entretanto, as pesquisas mostram que essa mudança merece atenção. Não porque transforme a personalidade ou resolva problemas emocionais, mas porque pode alterar a perspectiva com que analisamos determinadas situações.
Quando utilizamos a terceira pessoa durante o diálogo interno, criamos uma pequena distância psicológica entre quem vive a experiência e quem a observa. Em alguns estudos, esse distanciamento esteve associado a menor reatividade emocional, maior capacidade de avaliar diferentes possibilidades e um raciocínio mais equilibrado diante de situações estressantes. Kross et al. (2014). Moser et al. (2017).
Ao mesmo tempo, é importante interpretar esses resultados com cautela. A maior parte das pesquisas foi realizada em ambientes controlados, avaliando tarefas específicas e efeitos de curto prazo. Ainda não existem evidências suficientes para afirmar que o ileísmo seja uma técnica terapêutica ou que produza benefícios duradouros para todas as pessoas.
Talvez o maior valor dessa linha de pesquisa esteja em outro lugar.
Ela nos lembra que a forma como conversamos conosco não é um detalhe irrelevante. O diálogo interno influencia a maneira como interpretamos experiências, avaliamos decisões e respondemos aos desafios do cotidiano. Compreender esse processo pode abrir novas possibilidades para o estudo da autorregulação emocional e do comportamento humano.
Em outras palavras, o ileísmo não deve ser visto como uma solução pronta, mas como uma estratégia simples que ajuda a explorar uma pergunta fascinante: o que muda quando mudamos a forma de conversar com nós mesmos?
Perguntas frequentes
O que significa ileísmo?
Ileísmo é o uso da terceira pessoa para falar de si mesmo. Na psicologia, o termo também é utilizado para descrever o uso intencional do próprio nome durante o diálogo interno, como estratégia de autodistanciamento.
Falar comigo mesmo na terceira pessoa é normal?
Sim. Utilizar conscientemente a terceira pessoa durante uma reflexão é diferente de apresentar alterações da percepção da realidade. Nos estudos sobre ileísmo, participantes saudáveis empregaram essa estratégia de forma deliberada para avaliar seus efeitos sobre o raciocínio e as emoções. Kross et al. (2014).
O ileísmo ajuda a controlar as emoções?
Algumas pesquisas sugerem que o diálogo interno em terceira pessoa pode reduzir determinados indicadores de reatividade emocional e facilitar o distanciamento psicológico em situações específicas. Isso não significa, porém, que a técnica elimine emoções negativas ou funcione da mesma forma para todas as pessoas. Moser et al. (2017).
O ileísmo é uma terapia?
Não. Até o momento, não existem evidências de que o ileísmo constitua um tratamento psicológico independente. Ele pode ser entendido como uma estratégia de diálogo interno estudada pela psicologia experimental, mas não substitui psicoterapia ou acompanhamento profissional quando necessário.
Leia também em breve:
- Como praticar o ileísmo no dia a dia: um guia baseado na ciência
Referências Científicas
- Grossmann I.; Kross E. Exploring Solomon’s Paradox: Self-distancing eliminates the self-other asymmetry in wise reasoning about close relationships in younger and older adults. Psychological Science. 2014. PubMed.
- Kross E. et al. Self-talk as a regulatory mechanism: How you do it matters. Journal of Personality and Social Psychology. 2014. PubMed.
- Moser J. S. et al. Third-person self-talk facilitates emotion regulation without engaging cognitive control. Scientific Reports. 2017. PubMed.
- Powers J. P.; LaBar K. S. Regulating emotion through distancing: A taxonomy, neurocognitive model, and supporting meta-analysis. Neuroscience & Biobehavioral Reviews. 2019. PubMed.
- Grossmann I. et al. Training for wisdom: The distanced-self-reflection diary method. Psychological Science. 2021. PubMed


