Por que é tão fácil perceber quando alguém nos incomoda, e tão difícil perceber quando fazemos o mesmo?

Conhece alguém que pode precisar deste conteúdo? Compartilhe este artigo.

Imagine a seguinte situação: um motorista para o carro no meio da rua para pegar um passageiro, obrigando o veículo que vem atrás a reduzir a velocidade e esperar alguns segundos. Talvez ele perceba que está atrapalhando; talvez não perceba; ou talvez considere que será tão rápido que aquilo não terá importância.

Pouco depois, esse mesmo motorista encontra um carro mais lento à sua frente. Agora é ele quem precisa diminuir a velocidade, esperar uma oportunidade para ultrapassar ou simplesmente aceitar alguns segundos de atraso. A reação pode ser imediata: impaciência, irritação ou uma reclamação sobre a falta de consideração do outro motorista.

A cena parece contraditória, mas revela uma pergunta bastante interessante sobre o comportamento humano: por que percebemos tão facilmente quando alguém nos incomoda, mas nem sempre percebemos quando fazemos algo semelhante com os outros?

Não é necessário concluir que essa pessoa seja egoísta, hipócrita ou indiferente. O fenômeno pode ser mais simples e, justamente por isso, mais interessante. Nós sentimos diretamente o impacto que os outros produzem sobre nós, enquanto o impacto que produzimos acontece principalmente na experiência deles. Para perceber o primeiro, muitas vezes basta sentir. Para perceber o segundo, precisamos observar, imaginar ou considerar uma perspectiva diferente da nossa.

Quando alguém nos incomoda, o problema chega até nós

Considere situações muito comuns. Alguém bloqueia nossa passagem, uma pessoa demora excessivamente no caixa, um motorista entra devagar à nossa frente, alguém interrompe nossa fala ou uma conversa barulhenta acontece ao nosso lado. Em todos esses casos, o comportamento de outra pessoa produz uma consequência diretamente na nossa experiência.

Somos nós que precisamos esperar, desviar, diminuir a velocidade ou lidar com o desconforto. Por isso, não precisamos realizar grande esforço mental para perceber que alguma coisa nos incomodou. O próprio efeito chama nossa atenção.

Quando ocupamos o outro lado da situação, porém, a experiência muda. Se estamos andando lentamente em uma calçada estreita, nossa velocidade pode parecer perfeitamente adequada. Para perceber que alguém atrás quer passar, precisamos notar essa pessoa e deslocar temporariamente a atenção daquilo que estamos fazendo para aquilo que está acontecendo com ela.

O mesmo vale para alguém que para em uma passagem para conversar, demora para organizar as compras enquanto há uma fila atrás ou estaciona por alguns instantes em um lugar inconveniente. Quem realiza a ação está concentrado em seu objetivo; quem sofre a consequência pode estar concentrado justamente no obstáculo que aquela ação criou.

Quando somos incomodados, a consequência chega diretamente até nós. Quando incomodamos alguém, precisamos perceber uma consequência que acontece principalmente fora de nós.

Nossa própria perspectiva costuma ser o ponto de partida

A psicologia investiga há décadas como tentamos compreender aquilo que outras pessoas pensam, veem ou sentem. Um estudo clássico de Nicholas Epley, Boaz Keysar, Leaf Van Boven e Thomas Gilovich encontrou evidências de que, ao estimar a perspectiva de outra pessoa, os participantes frequentemente começavam pela própria perspectiva e faziam ajustes a partir dela. Esses ajustes nem sempre eram suficientes.

Os pesquisadores descreveram esse processo como uma forma de ancoragem egocêntrica seguida de ajuste. Aqui, “egocêntrico” não significa necessariamente egoísmo ou falta de caráter. Significa apenas que nossa própria perspectiva é a informação mais imediatamente disponível para nós.

Sabemos por que estamos com pressa, por que paramos, por que demoramos, qual era nossa intenção e o que estávamos tentando resolver. Para compreender exatamente como a mesma situação aparece para outra pessoa, precisamos fazer um trabalho adicional de mudança de perspectiva.

É justamente nessa passagem entre “o que estou fazendo” e “como isso aparece para quem está ao meu redor” que pequenas falhas de percepção podem surgir.

O motorista vê o passageiro; quem está atrás vê o bloqueio

Voltemos ao exemplo do trânsito. O motorista que para para buscar alguém pode estar concentrado em localizar o passageiro, confirmar o endereço, verificar se poderá parar por alguns segundos e imaginar como retomará a rota. Para ele, a situação possui contexto, objetivo e justificativa.

O motorista atrás vive outra experiência. Talvez ele não saiba quem está sendo buscado, quanto tempo aquilo levará ou por que o carro parou exatamente ali. O que aparece imediatamente para ele é apenas a consequência: sua passagem foi bloqueada.

Minutos depois, os papéis podem se inverter. O primeiro motorista encontra alguém mais lento à frente e, dessa vez, não precisa imaginar o efeito do comportamento alheio. Ele sente diretamente a necessidade de frear, esperar ou reduzir sua velocidade.

Essa diferença ajuda a compreender por que duas atitudes semelhantes podem parecer tão diferentes dependendo de qual lado estamos ocupando.

“É só um minutinho”: pequeno para quem?

Uma frase cotidiana ilustra muito bem essa diferença de perspectiva: “É só um minutinho.” Ela aparece quando alguém estaciona rapidamente em um lugar inconveniente, bloqueia uma passagem, resolve algo enquanto outras pessoas esperam ou ocupa temporariamente um espaço compartilhado.

Presente

Para quem realiza a ação, o custo parece pequeno. Um minuto realmente pode ser insignificante na experiência daquela pessoa. O problema é que o cálculo muitas vezes considera apenas quem decidiu utilizar aquele minuto.

Se cinco pessoas precisam esperar durante esse intervalo, o custo deixou de existir apenas para quem tomou a decisão. A ação continua pequena para quem a realiza, mas seus efeitos se distribuem entre outras pessoas.

Esse é um ponto importante sobre a convivência: nossas escolhas não terminam na nossa própria experiência. Mesmo decisões muito pequenas podem produzir consequências para pessoas que nem sequer conhecemos.

Não é preciso haver má intenção para existir impacto

Diante de um comportamento inconveniente, nossa interpretação pode se tornar rapidamente moral: “essa pessoa é egoísta”, “não pensa nos outros” ou “não está nem aí”. Algumas vezes, essa conclusão pode estar correta. Pessoas podem agir conscientemente sem consideração pelas necessidades alheias.

Mas nem todo comportamento inconveniente precisa ter surgido dessa intenção. A pessoa pode estar distraída, concentrada em outro objetivo, desconhecer o efeito provocado ou simplesmente não ter percebido a situação do ponto de vista de quem estava ao redor.

Isso não transforma automaticamente o comportamento em correto. Apenas separa duas coisas que frequentemente confundimos: intenção e impacto.

Uma pessoa pode não ter pretendido incomodar e ainda assim ter incomodado. Da mesma forma, causar um pequeno incômodo não demonstra por si só que alguém possua um caráter egoísta.

Nós conhecemos nossas razões; dos outros, vemos principalmente o comportamento

Quando fazemos alguma coisa, conhecemos pelo menos parte do contexto interno que cercou nossa decisão. Sabemos que paramos porque não encontramos outro lugar, que demoramos porque surgiu um problema inesperado ou que interrompemos alguém porque pensamos que a pessoa já havia terminado de falar.

Quando observamos outra pessoa fazendo algo semelhante, nem sempre temos acesso a essas informações. Enxergamos principalmente o comportamento e o efeito que ele produziu sobre nós.

Uma antiga hipótese da psicologia social, conhecida como assimetria ator-observador, propunha que as pessoas tenderiam a explicar o próprio comportamento por circunstâncias externas e o comportamento de outras pessoas por características pessoais.

Essa ideia ficou muito popular, mas pesquisas posteriores mostraram que ela é mais complexa do que costuma aparecer em explicações simplificadas. Uma meta-análise de Bertram Malle que reuniu 173 estudos encontrou pouco suporte para tratar essa assimetria clássica como uma regra geral e universal. Os resultados mudavam conforme o tipo de situação, a relação entre as pessoas e outras características do contexto.

Por isso, não seria correto afirmar que “sempre justificamos nossos erros e culpamos os outros”. Uma conclusão mais cuidadosa é que as informações disponíveis quando avaliamos a nós mesmos e quando avaliamos outra pessoa não são necessariamente as mesmas, e essa diferença pode influenciar nossos julgamentos.

Quando uma atitude vira uma definição da pessoa

Existe uma distância considerável entre pensar “essa pessoa fez algo inconveniente” e concluir “essa pessoa é inconveniente”. A primeira afirmação descreve um comportamento específico; a segunda transforma esse comportamento em uma característica relativamente estável do indivíduo.

No cotidiano, podemos atravessar essa distância muito rapidamente. Um motorista passa a ser “folgado”, alguém que demora na fila se torna “sem noção” e uma pessoa que interrompe uma conversa passa a ser “mal-educada”.

Às vezes, padrões repetidos realmente oferecem informações sobre o comportamento habitual de alguém. O problema aparece quando utilizamos um episódio isolado para construir uma explicação completa sobre uma pessoa cuja história desconhecemos.

Quando somos nós que cometemos a mesma inconveniência, possuímos muito mais elementos capazes de preservar nossa identidade. Sabemos que em outras ocasiões fomos pacientes, educados e cuidadosos. Por isso, conseguimos pensar: “não sou uma pessoa inconveniente; apenas aconteceu uma situação específica”.

A pergunta interessante é: será que a pessoa que acabamos de julgar também não possui um contexto que desconhecemos?

Considerar a perspectiva do outro não é adivinhar a mente dele

A capacidade de considerar perspectivas diferentes é importante para a vida social, mas ela não deve ser confundida com a capacidade de saber exatamente o que outra pessoa sente. Nossa tentativa de imaginar a experiência alheia continua sendo feita a partir de uma mente que possui experiências, crenças e expectativas próprias.

Inclusive, pesquisas mostram que a tomada de perspectiva não produz automaticamente comportamentos mais altruístas em qualquer contexto. Em experimentos realizados por Nicholas Epley, Eugene Caruso e Max Bazerman, considerar a perspectiva dos outros em situações competitivas levou, em certas condições, a comportamentos mais egoístas, porque os participantes anteciparam que os demais também poderiam agir de maneira competitiva.

Isso reforça uma distinção importante. Considerar a perspectiva de alguém é diferente de presumir que sabemos o que essa pessoa pensa. Quando a situação realmente importa, observar, perguntar e ouvir continuam sendo mais confiáveis do que simplesmente imaginar.

O feedback pode mostrar aquilo que não conseguimos enxergar sozinhos

Existe uma maneira particularmente direta de descobrir parte do impacto que causamos: ouvir aquilo que outras pessoas relatam sobre nossa convivência. Às vezes, alguém aponta algo que simplesmente não havíamos percebido: “você costuma me interromper”, “quando você responde desse jeito, parece que não está ouvindo” ou “quando você se atrasa, eu fico esperando sem saber quando chegará”.

A primeira reação pode ser explicar a intenção: “mas eu não quis fazer isso”. Essa informação é relevante, mas não necessariamente encerra a questão. É perfeitamente possível não ter pretendido interromper alguém e ainda assim tê-lo interrompido.

Isso não significa aceitar toda crítica como verdadeira. Algumas críticas são injustas, vagas ou baseadas em interpretações equivocadas. O artigo Como lidar com as críticas sem se abalar: o que a psicologia ensina aprofunda justamente como separar observações potencialmente úteis de ataques, exageros e julgamentos sobre nossa personalidade.

A maneira como falamos também pode revelar essa diferença

Nem sempre o impacto invisível está no trânsito, em filas ou em espaços físicos. Ele também aparece na linguagem. Uma frase pode parecer banal para quem a diz e produzir um efeito muito diferente em quem a recebe.

Expressões como “você está exagerando”, “isso não é nada” ou “você nunca aprende” podem ser pronunciadas em poucos segundos, talvez por cansaço, irritação ou falta de atenção. Para quem escuta, entretanto, o impacto pode ser maior do que aquele imaginado por quem falou.

Esse é justamente um dos pontos discutidos no artigo A Forma Como Você Fala Também É Tratamento, que explora como palavras aparentemente pequenas podem adquirir peso na experiência de outras pessoas.

Em um único dia, podemos ocupar os dois lados

Talvez o aspecto mais curioso desse fenômeno seja perceber que não somos permanentemente “a pessoa que incomoda” ou “a pessoa incomodada”. Ao longo de um mesmo dia, podemos ocupar ambos os papéis várias vezes.

📚 Encontre sua próxima leitura

Explore livros selecionados sobre psicologia, comportamento e desenvolvimento pessoal.

Explorar livros e análises →

Podemos ser a pessoa que espera e, algumas horas depois, aquela que faz alguém esperar. Podemos nos irritar ao sermos interrompidos e, mais tarde, interromper outra pessoa sem perceber. Podemos reclamar do barulho de alguém e, em outro ambiente, nos envolver em uma conversa tão animada que deixamos de notar nosso próprio volume.

A questão não é demonstrar que todos somos igualmente inconvenientes ou transformar qualquer irritação legítima em culpa. O ponto é reconhecer que a posição que ocupamos muda aquilo que se torna mais visível para nós.

Um pouco de distância pode ajudar a enxergar melhor

Uma linha de pesquisa interessante estuda o chamado autodistanciamento, ou seja, a tentativa de refletir sobre uma experiência pessoal a partir de uma perspectiva menos imersa.

Em três experimentos envolvendo 693 participantes, Igor Grossmann e Ethan Kross encontraram que as pessoas demonstravam formas de raciocínio consideradas mais sábias quando refletiam sobre problemas de relacionamento de outras pessoas do que quando pensavam nos próprios problemas. Quando os participantes foram orientados a examinar seus próprios conflitos de maneira mais distanciada, essa diferença diminuiu.

O estudo não investigou especificamente pequenos incômodos cotidianos, portanto seria exagerado afirmar que o autodistanciamento resolve esse problema. Ainda assim, ele oferece uma ideia útil: mudar deliberadamente o ponto de vista pode revelar aspectos de uma situação que ficam menos visíveis quando estamos completamente imersos nela.

Uma pergunta simples pode mudar a perspectiva

Uma forma prática de utilizar essa ideia é fazer uma pergunta antes ou depois de determinadas situações: “Se outra pessoa estivesse fazendo exatamente o que estou fazendo agora, isso me incomodaria?”

Ela pode ser aplicada ao trânsito, à fila do supermercado, ao ambiente de trabalho, a uma conversa familiar, ao transporte público ou até às redes sociais. Não se trata de viver monitorando cada movimento nem de tentar impedir qualquer possibilidade de incomodar alguém, o que seria irrealista.

A função dessa pergunta é apenas criar alguns segundos de distância entre nossa intenção e nossa avaliação daquilo que estamos fazendo.

Como desenvolver mais consciência sobre o impacto que causamos

1. Faça o teste da inversão

Quando uma atitude parecer aceitável porque “é só um minuto”, “não vai incomodar ninguém” ou “todo mundo faz”, imagine outra pessoa realizando exatamente a mesma ação enquanto você está do lado que recebe a consequência. Observe se sua avaliação permanece igual.

2. Considere o impacto além da intenção

Boas intenções são importantes, mas não determinam sozinhas o resultado de nossas ações. Podemos ter pretendido ser rápidos e ainda assim fazer alguém esperar; podemos ter pensado que estávamos brincando e ainda assim dizer algo que machucou. Reconhecer o impacto não significa condenar automaticamente a intenção.

3. Use pequenos incômodos como espelhos

Quando determinado comportamento de alguém incomodar você, acrescente uma segunda pergunta: “Eu faço alguma versão disso?” Em muitas situações, a resposta será não. Em outras, o próprio incômodo pode revelar um comportamento nosso que não percebíamos com a mesma facilidade.

4. Preste atenção a padrões de feedback

Uma crítica isolada pode estar equivocada, mas quando diferentes pessoas apontam repetidamente o mesmo comportamento, talvez exista uma informação que mereça investigação. Ouvir não significa concordar automaticamente; significa considerar uma perspectiva que antes não estava disponível.

Autoconhecimento também acontece na convivência

Quando pensamos em autoconhecimento, normalmente imaginamos um movimento para dentro: observar pensamentos, reconhecer emoções, identificar crenças e compreender nossos valores. Tudo isso é importante, mas existe outra dimensão igualmente interessante: perceber quem somos na experiência das pessoas com quem convivemos.

Isso não significa construir nossa identidade a partir da aprovação dos outros. Significa reconhecer que nosso comportamento produz efeitos que nem sempre sentimos diretamente.

Podemos conhecer algo sobre nós observando nossas intenções, mas também podemos descobrir algo observando nossas consequências. Em certos momentos, aquilo que outra pessoa percebe em nosso comportamento pode revelar um ponto que não estava acessível pela introspecção.

Conclusão: nossas ações continuam na experiência dos outros

Talvez seja tão fácil perceber quando alguém nos incomoda por uma razão muito simples: somos nós que sentimos a consequência. Quando fazemos algo semelhante, a consequência pode existir principalmente na experiência de outra pessoa, e percebê-la exige sair por alguns instantes da nossa própria perspectiva.

Isso não significa que toda falta de consideração seja inconsciente, nem que devamos desculpar qualquer comportamento inconveniente. Também não significa que precisamos viver tentando agradar todo mundo. A ideia é mais modesta e mais útil: nossas ações não terminam onde termina nossa intenção.

Elas continuam no tempo, no espaço e na experiência das pessoas ao nosso redor.

Por isso, talvez valha guardar uma pergunta para a próxima vez em que alguém fizer algo que pareça obviamente inconveniente: “Em quais situações eu também posso não perceber o efeito que estou causando?”

Às vezes, aquilo que mais facilmente enxergamos nos outros pode se transformar em uma oportunidade inesperada de enxergar melhor a nós mesmos.

Perguntas frequentes

Por que percebemos mais facilmente quando os outros nos incomodam?

Porque o comportamento alheio pode produzir consequências diretamente na nossa experiência. Quando alguém bloqueia nossa passagem, demora, interrompe ou produz algum desconforto, somos nós que sentimos o efeito. Quando somos responsáveis pelo comportamento, a consequência pode acontecer principalmente na experiência de outra pessoa e exigir mudança de perspectiva para ser percebida.

Não perceber que estamos incomodando alguém significa egoísmo?

Não necessariamente. Algumas situações realmente envolvem falta deliberada de consideração, mas outras podem envolver distração, atenção concentrada em um objetivo, desconhecimento do impacto causado ou dificuldade momentânea de perceber a perspectiva alheia.

Por que nossas atitudes parecem mais justificáveis para nós mesmos?

Uma razão é que temos acesso a informações sobre nossas próprias circunstâncias, intenções e objetivos que não possuímos quando observamos outra pessoa. Isso pode tornar nosso comportamento mais contextualizado aos nossos olhos, enquanto o comportamento alheio aparece principalmente por meio de suas consequências.

Existe um único viés psicológico que explica esse comportamento?

Não. Diferentes fenômenos podem contribuir, incluindo tomada de perspectiva, ancoragem na própria experiência e processos de atribuição. A antiga hipótese da assimetria ator-observador pode explicar determinadas situações, mas as evidências não sustentam tratá-la como uma regra universal do comportamento humano.

Como perceber melhor o impacto que causamos nos outros?

Uma estratégia simples é imaginar outra pessoa realizando exatamente o mesmo comportamento enquanto você ocupa o lado afetado. Também pode ajudar observar consequências além das próprias intenções e prestar atenção quando feedbacks semelhantes aparecem repetidamente em diferentes relações.

Veja também

Por que é tão fácil perceber quando alguém nos incomoda, e tão difícil perceber quando fazemos o mesmo?

Referências científicas

  • Epley, N.; Keysar, B.; Van Boven, L.; Gilovich, T. Perspective Taking as Egocentric Anchoring and Adjustment. Journal of Personality and Social Psychology, 2004. Acessar estudo no PubMed.
  • Malle, B. F. The Actor-Observer Asymmetry in Attribution: A (Surprising) Meta-Analysis. Psychological Bulletin, 2006. Acessar estudo no PubMed.
  • Grossmann, I.; Kross, E. Exploring Solomon’s Paradox: Self-Distancing Eliminates the Self-Other Asymmetry in Wise Reasoning About Close Relationships. Psychological Science, 2014. Acessar estudo no PubMed.
  • Epley, N.; Caruso, E. M.; Bazerman, M. H. When Perspective Taking Increases Taking: Reactive Egoism in Social Interaction. Journal of Personality and Social Psychology, 2006. Acessar estudo no PubMed.
  • Malle, B. F.; Knobe, J. M.; Nelson, S. E. Actor-Observer Asymmetries in Explanations of Behavior: New Answers to an Old Question. Journal of Personality and Social Psychology, 2007. Acessar estudo no PubMed.
Conhece alguém que pode precisar deste conteúdo? Compartilhe este artigo.
O mecanismo que faz você duvidar de si mesmo

Continue esta reflexão

Entenda por que você duvida de si mesmo

Receba gratuitamente um dossiê para reconhecer padrões invisíveis que enfraquecem sua confiança e distorcem sua autopercepção.

Receba gratuitamente

Informe seu e-mail para receber o acesso imediatamente.

Sem excesso de mensagens. Cancele quando quiser.

Envio realizado Seu dossiê foi enviado. Em alguns instantes, verifique sua caixa de entrada. Caso não o encontre, confira também as abas Promoções ou Spam.