Ileísmo e inteligência emocional: como falar consigo mesmo pelo nome pode ajudar a regular as emoções

Imagine que você está prestes a enfrentar uma situação emocionalmente difícil. Pode ser uma conversa delicada, uma apresentação importante, uma decisão que desperta insegurança ou simplesmente um momento de frustração. É comum que o diálogo interno assuma frases como: “Por que eu estou tão nervoso?” ou “Como eu vou lidar com isso?”.

Agora, considere uma mudança aparentemente pequena: em vez de usar “eu”, você pensa em si mesmo usando o próprio nome. Algo como: “Por que Ana está tão nervosa?” ou “Como João pode lidar melhor com essa situação?”.

À primeira vista, essa forma de falar consigo mesmo pode parecer estranha. Na psicologia, porém, pesquisas sugerem que mudanças na linguagem usada para pensar sobre o próprio “eu” podem alterar a perspectiva adotada diante de uma experiência emocional.

Esse fenômeno está relacionado ao autodistanciamento: a capacidade de observar uma situação envolvendo a si mesmo a partir de uma perspectiva psicologicamente menos imersa. Em vez de estar completamente absorvida pelo que sente naquele instante, a pessoa procura enxergar a situação com algum grau de perspectiva.

Um conjunto de sete estudos envolvendo 585 participantes, publicado por Ethan Kross e colaboradores em 2014, investigou justamente se a linguagem usada durante a introspecção poderia influenciar pensamentos, sentimentos e comportamentos diante de situações socialmente estressantes. Os pesquisadores observaram que utilizar o próprio nome e pronomes que não fossem de primeira pessoa durante a reflexão favoreceu o autodistanciamento. Os estudos também encontraram efeitos sobre avaliações de desempenho e respostas emocionais em determinadas situações experimentais. Fonte do Estudo

Isso não significa que simplesmente dizer o próprio nome seja uma fórmula para controlar emoções. Também não significa que essa prática aumente automaticamente a inteligência emocional. A evidência científica é mais específica: determinadas formas de linguagem autodistanciada podem modificar a maneira como processamos experiências emocionalmente relevantes e, em alguns contextos, facilitar sua regulação.

Presente

Entender essa diferença é essencial. Existe uma distância considerável entre dizer que uma estratégia mostrou efeitos em experimentos psicológicos e afirmar que ela transforma permanentemente a capacidade emocional de uma pessoa.

Este Artigo Aborda:

O que é ileísmo?

Ileísmo é o termo usado para descrever o ato de uma pessoa referir-se a si mesma na terceira pessoa, geralmente utilizando o próprio nome ou outra forma de referência em lugar de “eu”.

Em uma conversa comum, por exemplo, alguém poderia dizer “Maria precisa pensar melhor sobre isso” quando está falando da própria Maria. Entretanto, no contexto das pesquisas sobre regulação emocional, o fenômeno mais relevante não é simplesmente falar dessa maneira diante de outras pessoas.

Os pesquisadores estudam principalmente uma prática conhecida como fala interna autodistanciada ou fala interna em terceira pessoa. Ela acontece quando a pessoa utiliza mentalmente o próprio nome ou formas de referência não centradas na primeira pessoa enquanto pensa sobre uma situação que a envolve.

Compare estas duas perguntas:

“Por que eu estou me sentindo assim?”

“Por que [seu nome] está se sentindo assim?”

O acontecimento é exatamente o mesmo. A emoção também pode continuar presente. O que muda é a posição linguística a partir da qual a pessoa observa a própria experiência.

Essa distinção é importante porque, embora o termo “ileísmo” seja útil para apresentar o assunto ao público geral, boa parte da literatura científica utiliza conceitos mais específicos, como third-person self-talk, distanced self-talk e self-distancing.

Portanto, ileísmo e autodistanciamento não devem ser tratados como sinônimos perfeitos. O ileísmo descreve uma forma de autorreferência; o autodistanciamento descreve um processo psicológico de mudança de perspectiva. Usar o próprio nome pode ser uma das maneiras de favorecer esse processo.

Por que falar consigo mesmo pelo nome pode mudar a perspectiva?

Uma possível explicação começa com algo bastante familiar: geralmente é mais fácil analisar o problema de outra pessoa com certa perspectiva do que fazer o mesmo quando estamos emocionalmente envolvidos na situação.

Quando uma experiência é nossa, pensamentos, preocupações e interpretações podem ficar fortemente ligados à emoção do momento. Na literatura científica, essa forma de processamento é frequentemente contrastada com uma perspectiva mais autodistanciada.

O autodistanciamento não exige ignorar aquilo que aconteceu. A ideia é observar a experiência de uma perspectiva menos centrada exclusivamente no “eu aqui e agora”.

Uma ampla revisão científica sobre distanciamento e regulação emocional descreve diferentes maneiras pelas quais essa distância psicológica pode ser criada. Ela pode envolver mudanças de perspectiva espacial, temporal ou linguística. Em outras palavras, falar consigo mesmo pelo nome é apenas uma das possíveis formas de produzir distância psicológica. Fonte do Estudo

Quando alguém pensa “O que eu devo fazer?”, a situação permanece diretamente organizada em torno do “eu”. Quando reformula mentalmente a pergunta para “O que Carlos deveria fazer?”, por exemplo, pode passar a representar momentaneamente o próprio problema de uma maneira mais parecida com aquela usada para pensar sobre outra pessoa.

Essa hipótese foi explorada experimentalmente por Kross e colaboradores. Nos estudos publicados em 2014, usar o próprio nome ou pronomes não relacionados à primeira pessoa durante a introspecção aumentou medidas de autodistanciamento em comparação com a linguagem centrada no “eu”. Os pesquisadores também observaram benefícios em determinados contextos envolvendo estresse social e reflexão sobre experiências pessoais. Fonte do Estudo

É importante interpretar esses resultados com precisão. Eles sustentam uma relação causal dentro das condições experimentais estudadas, porque os pesquisadores manipularam a forma de autorreferência e compararam seus efeitos. Isso é mais forte do que uma simples correlação.

Ao mesmo tempo, os resultados não permitem concluir que qualquer pessoa, em qualquer situação, obterá o mesmo benefício apenas substituindo “eu” pelo próprio nome. Experimentos controlados isolam determinados mecanismos psicológicos, mas a vida cotidiana envolve contextos muito mais variados.

O que acontece no cérebro durante a fala interna em terceira pessoa?

Uma pergunta particularmente interessante é se essa pequena mudança linguística realmente modifica aspectos mensuráveis do processamento emocional.

Em 2017, pesquisadores liderados por Jason Moser publicaram na revista Scientific Reports dois experimentos que investigaram a fala interna em terceira pessoa utilizando métodos neurocientíficos diferentes. O objetivo era examinar se pensar sobre si mesmo usando o próprio nome poderia facilitar a regulação emocional sem exigir um aumento correspondente de processos associados ao controle cognitivo deliberado. Fonte do Estudo

Primeiro experimento: resposta cerebral diante de imagens desagradáveis

No primeiro estudo, os pesquisadores utilizaram eletroencefalografia, ou EEG, técnica capaz de registrar a atividade elétrica cerebral por meio de sensores posicionados no couro cabeludo.

Os participantes visualizaram imagens emocionalmente desagradáveis enquanto utilizavam diferentes formas de autorreferência interna.

Os pesquisadores analisaram um componente chamado potencial positivo tardio, conhecido pela sigla LPP. Esse marcador eletrofisiológico é sensível à relevância emocional dos estímulos e é frequentemente utilizado em pesquisas sobre processamento emocional.

Quando os participantes usaram a fala interna em terceira pessoa, houve redução desse marcador de reatividade emocional em comparação com a condição de primeira pessoa. O efeito apareceu rapidamente, dentro do primeiro segundo após a apresentação das imagens. Ao mesmo tempo, os pesquisadores não encontraram aumento em outro marcador analisado como indicador de preparação para controle cognitivo. Fonte do Estudo

Esse resultado é relevante porque sugere que o efeito não dependia necessariamente de um esforço consciente intenso para “forçar” uma interpretação diferente da situação.

Uma investigação posterior, publicada em 2022, realizou uma replicação direta desse paradigma eletrofisiológico e novamente encontrou redução do LPP durante a fala interna autodistanciada, sem aumento do marcador de processamento antecipatório avaliado pelos pesquisadores. Essa replicação fortalece a evidência para esse efeito específico em condições experimentais semelhantes. Fonte do Estudo

Segundo experimento: refletindo sobre lembranças negativas

No segundo experimento do estudo de 2017, os pesquisadores utilizaram ressonância magnética funcional, ou fMRI, enquanto participantes refletiam sobre experiências pessoais negativas.

Quando as pessoas pensaram sobre essas experiências utilizando o próprio nome em vez de formas de primeira pessoa, os pesquisadores observaram menor atividade em uma região previamente definida do córtex pré-frontal medial associada ao processamento autorreferencial.

Ao mesmo tempo, não foi detectado aumento de atividade nas regiões previamente selecionadas como marcadores de controle cognitivo. A combinação desses resultados levou os autores a sugerir que a fala interna em terceira pessoa poderia representar uma forma relativamente pouco exigente de regulação emocional. Fonte do Estudo

A palavra “sugerir” é importante.

Um estudo de neuroimagem não demonstra que determinada técnica “reprograma o cérebro”, nem que produz benefícios psicológicos permanentes. A atividade de uma região cerebral também não pode ser traduzida diretamente em uma conclusão simples sobre pensamentos ou emoções.

Além disso, os dois experimentos de 2017 trabalharam com amostras modestas: o primeiro estudo analisou 29 participantes após exclusões, e o segundo, 50 participantes após exclusões. Isso não invalida os resultados, mas limita a amplitude das conclusões que podem ser tiradas de um único trabalho. Os próprios autores destacaram a necessidade de pesquisas adicionais para compreender melhor os mecanismos e as implicações da estratégia. Fonte do Estudo

Autodistanciamento não significa ignorar ou reprimir emoções

Uma interpretação equivocada seria imaginar que criar distância psicológica significa tornar-se indiferente ao que se sente.

Não é isso que o conceito descreve.

O autodistanciamento procura modificar a perspectiva usada para processar uma experiência. A emoção pode continuar existindo, mas a pessoa tenta observá-la sem permanecer totalmente absorvida por sua perspectiva imediata.

Isso é diferente de supressão emocional, que envolve tentar inibir ou esconder a expressão de uma emoção já ativada. Também é diferente de simplesmente evitar pensar sobre um problema.

Essa distinção aparece na literatura científica sobre distanciamento. Uma revisão dedicada ao tema mostra que estratégias de distanciamento podem assumir várias formas e precisam ser diferenciadas de processos como distração, evitação e outras estratégias de regulação emocional. Fonte do Estudo

Existe ainda uma nuance importante: distanciar-se deliberadamente de uma experiência não é necessariamente equivalente a adotar espontaneamente uma perspectiva distante. Uma revisão sobre mudanças de perspectiva observou que o distanciamento deliberado pode apresentar efeitos adaptativos em determinados contextos, enquanto formas espontâneas de distanciamento observadas em alguns quadros psicológicos podem ter significados diferentes. Portanto, não se deve concluir que “quanto mais distante das próprias emoções, melhor”. Fonte do Estudo

O objetivo do autodistanciamento não é deixar de sentir. É tentar enxergar aquilo que se sente a partir de uma perspectiva diferente.

Qual é a relação entre ileísmo e inteligência emocional?

É justamente aqui que o título deste artigo exige uma distinção científica cuidadosa.

A regulação emocional está relacionada à capacidade de influenciar como experimentamos, interpretamos ou expressamos emoções. Já inteligência emocional é um conceito mais amplo, que envolve modelos teóricos e formas específicas de mensuração.

Por isso, não seria correto transformar os estudos sobre fala interna autodistanciada em uma afirmação como:

“Falar consigo mesmo pelo nome aumenta sua inteligência emocional.”

Os experimentos citados não demonstraram isso.

O que eles investigaram foram resultados mais específicos: autodistanciamento, respostas emocionais, desempenho sob estresse, processamento autorreferencial e marcadores neurofisiológicos associados à reatividade emocional.

A formulação mais fiel às evidências seria:

Falar consigo mesmo usando o próprio nome ou outras formas de linguagem autodistanciada pode favorecer uma perspectiva psicologicamente mais distante e, em determinadas situações, ajudar na regulação das emoções.

Essa diferença pode parecer apenas semântica, mas é fundamental para interpretar ciência corretamente. Uma estratégia capaz de influenciar um componente relacionado à regulação emocional não necessariamente melhora uma capacidade ampla e estável como a inteligência emocional.

Também existem resultados que recomendam cautela contra generalizações. Em um estudo publicado em 2023 que comparou estratégias de regulação emocional, a manipulação de autodistanciamento não produziu redução estatisticamente significativa da reatividade emocional nas medidas analisadas. Isso mostra que os efeitos podem depender da tarefa, da forma de induzir o distanciamento, da população estudada e do resultado que está sendo medido. Fonte do Estudo

Assim, a literatura não sustenta a ideia de uma técnica infalível. O quadro científico é mais interessante justamente por ser mais complexo: uma mudança aparentemente pequena na maneira como nos referimos a nós mesmos pode alterar certos processos psicológicos, mas seus efeitos têm limites e dependem do contexto.

Como usar a fala em terceira pessoa no cotidiano?

A principal vantagem prática da fala interna autodistanciada é sua simplicidade. Nos experimentos científicos, a mudança estudada não exigia necessariamente uma técnica longa ou complexa: os participantes eram orientados a refletir sobre si mesmos utilizando o próprio nome ou formas de referência que evitavam “eu” e “meu”.

Isso não significa que exista uma fórmula universal. A ideia central é usar a linguagem para criar uma pequena mudança de perspectiva: sair momentaneamente da posição de quem está completamente imerso na experiência e tentar observá-la como faria um espectador mais objetivo.

Um conjunto de sete estudos, com 585 participantes no total, encontrou que utilizar o próprio nome e formas não centradas na primeira pessoa durante a introspecção aumentou o autodistanciamento. Em situações experimentais envolvendo estresse social, os participantes nessa condição também apresentaram resultados como menor sofrimento relatado e avaliações mais orientadas para desafio do que para ameaça. Fonte do Estudo

Uma maneira simples de compreender o princípio é comparar duas formas de diálogo interno.

Perspectiva imersa: “Por que eu estou tão preocupado com essa situação?”

Perspectiva autodistanciada: “Por que [seu nome] está preocupado com essa situação?”

Depois dessa mudança, outras perguntas podem ajudar a ampliar a perspectiva:

  • “O que [seu nome] pode fazer agora que está sob seu controle?”
  • “Como [seu nome] enxergará essa situação depois que ela passar?”
  • “Que conselho [seu nome] daria a um amigo que estivesse vivendo algo parecido?”
  • “Qual seria uma maneira mais equilibrada de interpretar o que aconteceu?”

O ponto não é fingir que o problema pertence a outra pessoa. A pessoa continua reconhecendo que a experiência é sua. O que muda temporariamente é a forma de representá-la mentalmente.

Em quais situações essa estratégia pode ser útil?

As pesquisas disponíveis sugerem que a fala autodistanciada pode ser especialmente relevante quando uma pessoa precisa refletir sobre uma experiência emocional sem ficar completamente absorvida pela reação imediata.

Antes de uma situação que provoca nervosismo

Imagine alguém prestes a fazer uma apresentação. O diálogo interno pode assumir uma forma altamente imersa:

“Eu vou ficar nervoso. E se eu não conseguir falar direito?”

Uma reformulação autodistanciada poderia ser:

“O que [seu nome] precisa fazer para lidar com essa apresentação da melhor maneira possível?”

No estudo de Kross e colaboradores, participantes que utilizaram linguagem não centrada na primeira pessoa antes de uma tarefa de discurso foram avaliados mais favoravelmente por avaliadores independentes e relataram menos sofrimento do que participantes orientados a usar linguagem de primeira pessoa. Como o estudo foi experimental, ele oferece evidência causal dentro das condições testadas. Isso, porém, não garante que o mesmo efeito ocorrerá com todas as pessoas ou em qualquer situação real de desempenho. Fonte do Estudo

Depois de uma experiência emocional negativa

Quando algo desagradável acontece, é possível repetir mentalmente a experiência inúmeras vezes de uma perspectiva altamente imersa. O autodistanciamento oferece outra maneira de refletir: tentar compreender o acontecimento com alguma distância psicológica.

Em dois experimentos de maior poder estatístico publicados em 2021, pesquisadores examinaram a fala autodistanciada diante de experiências negativas com diferentes níveis de intensidade. Em comparação com a fala interna imersa, a estratégia reduziu a reatividade emocional relatada quando os participantes refletiam sobre diferentes tipos de experiências autobiográficas negativas, inclusive entre pessoas com maior vulnerabilidade emocional medida pelos instrumentos utilizados no estudo. Fonte do Estudo

Esse resultado amplia os achados anteriores, mas ainda deve ser interpretado dentro de seus limites. Reduzir a reatividade emocional durante uma tarefa experimental não equivale a demonstrar prevenção ou tratamento de um transtorno psicológico.

Durante uma frustração ou conflito

Em momentos de irritação, a reação inicial pode dominar a interpretação da situação. Uma pergunta autodistanciada como “Qual seria a melhor maneira de [nome] responder agora?” pode funcionar como uma mudança de perspectiva antes de agir.

Há estudos experimentais sugerindo que o autodistanciamento pode influenciar a intensidade e a dinâmica de emoções negativas em determinados contextos sociais. Em uma investigação com neuroimagem e feedback social negativo, participantes relataram menor intensidade emocional quando adotaram uma perspectiva autodistanciada em comparação com uma perspectiva imersa. Entretanto, algumas previsões sobre mudanças específicas na atividade cerebral não foram confirmadas, mostrando que resultados subjetivos e marcadores neurais nem sempre seguem exatamente o mesmo padrão. Fonte do Estudo

Ao tomar decisões emocionalmente carregadas

Criar distância psicológica também pode modificar a maneira como uma situação é avaliada. Isso não significa que a terceira pessoa torne automaticamente alguém mais racional ou leve sempre a decisões melhores.

Na verdade, estudos mostram que os efeitos do distanciamento podem variar conforme o tipo de julgamento. Uma pesquisa sobre decisões envolvendo interesses próprios encontrou que a fala autodistanciada podia alterar escolhas de maneiras específicas, lembrando que “distância” não é sinônimo automático de “decisão correta”. Fonte do Estudo

Por isso, o uso mais prudente da estratégia é como uma ferramenta para ampliar a perspectiva, não como um método infalível para tomar decisões.

O que as pesquisas realmente mostram?

Quando um tema psicológico ganha popularidade, é comum que resultados científicos específicos sejam transformados em afirmações muito maiores. No caso do ileísmo e da fala interna em terceira pessoa, vale separar cuidadosamente o que possui suporte experimental daquilo que permanece incerto.

Nível de evidência 1: evidência experimental para autodistanciamento

O que podemos afirmar: estudos experimentais indicam que substituir formas de primeira pessoa pelo próprio nome ou por referências não centradas no “eu” pode aumentar o autodistanciamento durante a reflexão.

Essa conclusão é sustentada pelos experimentos de Kross e colaboradores, nos quais a forma de autorreferência foi manipulada diretamente. Isso permite inferências causais mais fortes do que estudos puramente observacionais, embora dentro das condições específicas testadas. Fonte do Estudo

Nível de evidência 2: evidência experimental para redução de reatividade emocional em determinadas condições

O que podemos afirmar: diferentes experimentos encontraram menor reatividade emocional quando participantes utilizaram formas autodistanciadas de reflexão.

O estudo neurofisiológico de 2017 encontrou redução de um marcador eletrofisiológico relacionado ao processamento emocional, e uma replicação direta publicada em 2022 voltou a observar redução desse marcador durante a fala autodistanciada, sem aumento do indicador de processamento preparatório avaliado. Fonte do Estudo Fonte da Replicação

Além disso, os experimentos publicados por Orvell e colaboradores encontraram menor reatividade emocional autorrelatada diante de diferentes experiências negativas. Fonte do Estudo

Por outro lado, nem todos os estudos encontram os mesmos efeitos. Uma pesquisa publicada em 2023 que comparou estratégias de regulação emocional não encontrou redução estatisticamente significativa da reatividade emocional decorrente da manipulação de autodistanciamento utilizada naquele experimento. Fonte do Estudo

Esse tipo de resultado divergente é importante. A ciência não deve ser apresentada como uma coleção apenas de estudos positivos. Diferenças na tarefa, na população, no tipo de emoção e na maneira de induzir o distanciamento podem influenciar os resultados.

Nível de evidência 3: evidências neurocientíficas sobre possíveis mecanismos

O que os estudos sugerem: a fala em terceira pessoa pode modificar aspectos do processamento autorreferencial e emocional sem exigir necessariamente um grande aumento de controle cognitivo deliberado.

Essa interpretação deriva principalmente dos experimentos com EEG e fMRI de Moser e colaboradores. Entretanto, resultados de neuroimagem devem ser tratados como evidência sobre possíveis mecanismos, e não como prova de benefícios clínicos. Fonte do Estudo

Nível de evidência 4: associação entre linguagem mais distante e regulação emocional

Pesquisas também examinam espontaneamente as palavras utilizadas pelas pessoas durante processos de regulação emocional.

Um estudo publicado em 2024 encontrou que uma regulação emocional mais bem-sucedida estava associada a mudanças linguísticas compatíveis com maior distância psicológica, incluindo menor uso de determinadas formas de linguagem centradas no presente e no “eu”. Entretanto, aqui a palavra decisiva é associação: observar que duas características mudam juntas não demonstra, por si só, que uma delas causou a outra. Fonte do Estudo

O que ainda não foi demonstrado

Com base nas evidências disponíveis, não é cientificamente adequado afirmar que falar consigo mesmo pelo nome:

  • aumenta permanentemente a inteligência emocional;
  • funciona para todas as pessoas;
  • elimina emoções negativas;
  • produz benefícios duradouros após poucas utilizações;
  • trata transtornos psicológicos;
  • substitui psicoterapia ou outros cuidados profissionais quando necessários.

A conclusão mais sólida é mais específica: a linguagem autodistanciada pode funcionar como uma maneira simples de alterar a perspectiva psicológica e, em determinadas circunstâncias, facilitar aspectos da regulação emocional.

Por que usar o próprio nome pode criar distância psicológica?

Uma das hipóteses propostas pelos pesquisadores parte de um hábito linguístico muito básico: normalmente usamos nomes próprios para falar sobre outras pessoas, não sobre nós mesmos.

Quando alguém pensa “O que Pedro deveria fazer?”, a estrutura da frase é semelhante àquela usada para refletir sobre outra pessoa. Se Pedro for o próprio indivíduo pensando, essa pequena mudança linguística pode favorecer uma representação menos imersa da situação.

Moser e colaboradores propuseram que essa ligação habitual entre nomes próprios e a representação de outras pessoas pode ajudar a explicar por que utilizar o próprio nome produz distância psicológica com relativa facilidade. Seus experimentos encontraram resultados compatíveis com a hipótese de menor processamento autorreferencial ou reatividade emocional em determinadas condições. Fonte do Estudo

É importante, entretanto, distinguir hipótese de mecanismo de fato definitivamente estabelecido. Os estudos mostram efeitos compatíveis com essa explicação, mas os mecanismos cognitivos e neurais do distanciamento ainda são objeto de investigação.

Uma revisão científica dedicada ao tema propôs que o distanciamento envolve uma combinação de processos, incluindo mudança de perspectiva, reflexão afetiva e controle cognitivo. Os autores também destacaram inconsistências de terminologia e metodologia na literatura, um obstáculo importante para comparar diretamente diferentes estudos. Fonte do Estudo

Portanto, dizer simplesmente que “o cérebro pensa que você é outra pessoa quando ouve seu nome” seria uma simplificação excessiva. A interpretação mais rigorosa é que mudar a forma linguística da autorreferência pode alterar a distância psicológica a partir da qual a experiência é processada.

Ileísmo funciona para todo mundo?

Não há evidência suficiente para afirmar que todas as pessoas responderão da mesma maneira.

Alguns resultados são encorajadores. Nos estudos de 2014, os efeitos observados não dependeram dos níveis de ansiedade social disposicional avaliados pelos pesquisadores. Estudos posteriores também encontraram benefícios da fala autodistanciada diante de experiências negativas com diferentes intensidades e entre participantes com diferentes níveis de vulnerabilidade emocional mensurada. Fonte do Estudo Fonte do Estudo

Isso sugere alguma capacidade de generalização, mas não significa universalidade.

Uma estratégia pode funcionar em uma tarefa experimental e produzir resultados diferentes em outra. O tipo de emoção, a intensidade da experiência, a idade, o contexto social, a maneira como a instrução é apresentada e as características individuais podem modificar seus efeitos.

Há também uma diferença importante entre conseguir usar uma estratégia quando um pesquisador solicita e utilizá-la espontaneamente de maneira útil na vida cotidiana.

Pesquisas com adolescentes sobre outras formas de distanciamento, como o distanciamento temporal, ilustram bem essa questão: a capacidade demonstrada em uma tarefa controlada não necessariamente corresponde ao uso habitual da estratégia fora do laboratório. Fonte do Estudo

Por isso, ainda faltam respostas definitivas para perguntas como: qual é a frequência ideal de uso? Os efeitos permanecem ao longo do tempo? A prática repetida produz benefícios adicionais? Existem pessoas para as quais a estratégia é pouco útil? Em quais situações outra estratégia de regulação emocional seria mais apropriada?

ILEISMO E INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Quais são as principais limitações das evidências científicas?

Os estudos sobre fala autodistanciada oferecem resultados relevantes, mas o grau de confiança em qualquer recomendação depende também de reconhecer suas limitações.

1. Muitos resultados vêm de situações experimentais

Laboratórios permitem controlar variáveis e testar relações causais, o que representa uma grande vantagem científica. Porém, observar imagens desagradáveis, preparar um discurso experimental ou recordar uma experiência seguindo instruções específicas não reproduz toda a complexidade emocional da vida cotidiana.

2. Alguns estudos neurocientíficos têm amostras relativamente pequenas

No trabalho de Moser e colaboradores de 2017, por exemplo, as análises finais envolveram 29 participantes no experimento com EEG e 50 no experimento com fMRI. Esses estudos são importantes para investigar mecanismos, mas amostras desse tamanho recomendam cautela ao generalizar os resultados para populações amplas. Fonte do Estudo

3. Nem todos os experimentos encontram os mesmos resultados

A ausência de um efeito significativo em alguns estudos não necessariamente invalida os resultados anteriores. Pode indicar diferenças metodológicas, efeitos menores do que inicialmente estimados ou condições específicas necessárias para que a estratégia funcione.

É justamente por isso que replicações são importantes. A replicação eletrofisiológica publicada em 2022 fortaleceu um resultado específico relacionado ao LPP, enquanto outros trabalhos encontraram resultados menos claros para diferentes medidas de regulação emocional. Fonte da Replicação Fonte do Estudo com Resultados Divergentes

4. Autodistanciamento é um conceito mais amplo do que ileísmo

Nem toda pesquisa sobre autodistanciamento utiliza o próprio nome. Alguns estudos pedem aos participantes que imaginem a situação como observadores externos; outros manipulam distância temporal, espacial ou perspectiva visual.

Uma revisão taxonômica da literatura destaca justamente essa diversidade metodológica. Portanto, resultados obtidos com uma forma de distanciamento não devem ser automaticamente atribuídos ao ileísmo ou à fala em terceira pessoa. Fonte do Estudo

5. Faltam evidências sobre efeitos duradouros

A maior parte das evidências mais conhecidas examina respostas relativamente imediatas. Ainda não existe base suficiente para afirmar que praticar regularmente a fala em terceira pessoa produza mudanças permanentes na personalidade, na inteligência emocional ou na capacidade geral de autorregulação.

Essa limitação é especialmente importante porque uma descoberta sobre um estado momentâneo não pode ser automaticamente transformada em uma conclusão sobre uma característica psicológica duradoura.

Ileísmo substitui terapia ou outras estratégias de regulação emocional?

Não.

A fala autodistanciada deve ser entendida como uma possível estratégia cognitivo-linguística de mudança de perspectiva, e não como tratamento psicológico.

Os estudos citados neste artigo não demonstram que falar consigo mesmo pelo nome trate transtornos de ansiedade, depressão, trauma ou outras condições de saúde mental. Resultados obtidos em tarefas de regulação emocional não são equivalentes a evidências de eficácia clínica.

Também não existe razão científica para considerar o autodistanciamento superior em todas as circunstâncias a outras estratégias. A regulação emocional inclui diferentes processos, e a utilidade de cada estratégia depende do contexto.

Uma revisão científica sobre distanciamento destaca seu potencial como estratégia de regulação, mas também aponta que diferenças conceituais e metodológicas ainda dificultam uma compreensão completa de seus mecanismos e aplicações. Fonte do Estudo

Glossário técnico

Ileísmo: forma de linguagem na qual uma pessoa se refere a si mesma na terceira pessoa, frequentemente utilizando o próprio nome.

Fala interna em terceira pessoa: diálogo mental no qual a pessoa utiliza o próprio nome ou outras formas não centradas em “eu” para pensar sobre si mesma.

Fala autodistanciada: uso da linguagem de maneira destinada a favorecer uma perspectiva psicologicamente mais distante sobre a própria experiência.

Autodistanciamento: processo de observar uma experiência pessoal a partir de uma perspectiva menos imersa, semelhante à de um observador.

Regulação emocional: conjunto de processos pelos quais as pessoas influenciam quais emoções experimentam, quando elas surgem e como são vivenciadas ou expressas.

Reavaliação cognitiva: estratégia que procura modificar a interpretação de uma situação para alterar seu impacto emocional. O distanciamento pode ser entendido, em determinadas classificações científicas, como uma forma específica de reavaliação baseada em mudança de perspectiva. Fonte do Estudo

Inteligência emocional: conceito mais amplo relacionado a capacidades ou características envolvendo percepção, compreensão e manejo de informações emocionais, dependendo do modelo teórico adotado. Não deve ser tratado como sinônimo de regulação emocional.

Conclusão: uma pequena mudança de linguagem pode mudar nossa perspectiva?

Trocar mentalmente “eu” pelo próprio nome parece uma alteração quase insignificante. No entanto, estudos experimentais sugerem que essa mudança pode modificar a maneira como uma pessoa representa psicologicamente a própria experiência.

A explicação mais consistente é o autodistanciamento. Ao utilizar o próprio nome ou outras formas de linguagem menos centradas na primeira pessoa, podemos criar alguma distância entre quem observa e aquilo que está sendo vivido emocionalmente.

Experimentos encontraram aumento do autodistanciamento, redução de determinadas respostas emocionais e mudanças em marcadores neurofisiológicos e de processamento autorreferencial. Alguns desses achados foram replicados, e estudos posteriores indicam que a fala autodistanciada pode funcionar diante de diferentes experiências negativas. Fonte do Estudo Fonte do Estudo Neurocientífico Fonte da Replicação

Mas os limites são igualmente importantes.

A ciência disponível não demonstra que falar consigo mesmo pelo nome aumente permanentemente a inteligência emocional, funcione para todas as pessoas ou produza benefícios psicológicos duradouros. Também existem estudos com resultados menos favoráveis, e grande parte da literatura ainda depende de experimentos controlados.

Por isso, a conclusão mais equilibrada não é que o ileísmo seja um “truque cerebral” capaz de controlar emoções.

É algo mais específico — e cientificamente mais interessante: a maneira como usamos a linguagem para representar a nós mesmos pode influenciar a distância psicológica com que observamos nossas experiências.

Às vezes, perguntar “O que eu devo fazer?” e perguntar “O que [meu nome] deveria fazer agora?” parecem quase a mesma coisa.

Para a mente, porém, essa pequena mudança de perspectiva pode fazer diferença.

Perguntas frequentes sobre ileísmo e regulação emocional

O que é ileísmo?

Ileísmo é o ato de uma pessoa referir-se a si mesma na terceira pessoa, usando o próprio nome ou outra forma de referência em lugar de “eu”. Nas pesquisas sobre regulação emocional, o fenômeno relacionado mais estudado é a fala interna autodistanciada.

Falar consigo mesmo em terceira pessoa é normal?

Usar ocasionalmente o próprio nome durante o diálogo interno pode funcionar simplesmente como uma forma de autorreferência. Estudos experimentais utilizam deliberadamente essa mudança linguística para investigar autodistanciamento e regulação emocional. O comportamento, isoladamente, não permite tirar conclusões sobre a saúde psicológica de uma pessoa.

Por que falar consigo mesmo pelo próprio nome pode ajudar nas emoções?

A principal hipótese é que utilizar o próprio nome favoreça uma perspectiva psicologicamente mais distante. Como normalmente usamos nomes próprios para nos referirmos a outras pessoas, aplicar essa estrutura ao próprio “eu” pode ajudar a observar uma experiência de maneira menos imersa. Estudos experimentais oferecem suporte a essa hipótese, embora seus mecanismos ainda estejam sendo investigados. Fonte do Estudo

O ileísmo aumenta a inteligência emocional?

Não há evidência suficiente para fazer essa afirmação. Estudos mostram efeitos sobre autodistanciamento e determinados aspectos da regulação emocional, mas isso não equivale a demonstrar aumento global ou permanente da inteligência emocional.

Existe comprovação científica sobre falar consigo mesmo em terceira pessoa?

Sim, existem estudos experimentais revisados por pares mostrando que a fala interna autodistanciada pode aumentar o autodistanciamento e modificar determinadas respostas emocionais. Há também evidências neurofisiológicas e uma replicação de alguns achados. Entretanto, “há evidência científica” não significa que todos os benefícios popularmente atribuídos à técnica estejam comprovados. Fonte do Estudo Fonte da Replicação

Autodistanciamento é o mesmo que reprimir emoções?

Não. Reprimir ou suprimir uma emoção envolve tentar conter sua expressão ou reação. O autodistanciamento busca mudar a perspectiva a partir da qual a experiência é observada. A pessoa não precisa negar que está triste, frustrada ou nervosa para tentar analisar a situação com maior distância psicológica.

Falar consigo mesmo pelo nome reduz a ansiedade?

Alguns experimentos encontraram menor sofrimento e avaliações menos ameaçadoras em situações de estresse social, mas isso não permite afirmar que a técnica trate ansiedade ou transtornos de ansiedade. É mais correto dizer que a fala autodistanciada pode ajudar a regular respostas emocionais em determinadas situações. Fonte do Estudo

Como praticar a fala interna em terceira pessoa?

Uma forma simples é reformular mentalmente uma pergunta centrada no “eu”. Em vez de “Por que eu estou tão nervoso?”, a pessoa pode experimentar “Por que [nome] está nervoso?” e depois perguntar “O que [nome] pode fazer agora?”. Essa estrutura se aproxima das manipulações de linguagem autodistanciada usadas em pesquisas, embora não exista uma frequência ou protocolo universal comprovado para uso cotidiano.

Quanto tempo leva para essa estratégia produzir efeito?

Não existe um tempo clinicamente estabelecido. Em experimentos neurofisiológicos, alguns efeitos foram detectados rapidamente durante a tarefa, mas isso não significa que exista um número específico de segundos ou minutos necessário para obter benefícios na vida cotidiana. Também faltam evidências suficientes sobre efeitos de longo prazo.

O ileísmo pode substituir terapia?

Não. A fala autodistanciada é estudada como uma estratégia de regulação e mudança de perspectiva, não como substituta de tratamento psicológico. As pesquisas citadas não demonstram que ela, isoladamente, trate transtornos de saúde mental.

Para aprofundar o tema e entender como o ileísmo vem sendo investigado pela ciência, leia também: Ileísmo funciona? O que os estudos científicos realmente mostram.

Referências científicas principais

Kross E, Bruehlman-Senecal E, Park J, et al. Self-talk as a regulatory mechanism: how you do it matters. Journal of Personality and Social Psychology. 2014;106(2):304-324. Sete estudos, totalizando 585 participantes, investigaram como o uso do próprio nome e de formas não centradas na primeira pessoa influencia autodistanciamento, estresse social e comportamento. Acessar o registro do estudo

Moser JS, Dougherty A, Mattson WI, et al. Third-person self-talk facilitates emotion regulation without engaging cognitive control: Converging evidence from ERP and fMRI. Scientific Reports. 2017;7:4519. O trabalho utilizou EEG e fMRI para investigar possíveis mecanismos neurocognitivos da fala interna em terceira pessoa. Acessar o estudo completo

Powers JP, LaBar KS. Regulating Emotion Through Distancing: A Taxonomy, Neurocognitive Model, and Supporting Meta-Analysis. Neuroscience & Biobehavioral Reviews. 2019;96:155-173. Revisão que organiza diferentes formas de distanciamento, propõe um modelo neurocognitivo e inclui uma meta-análise de estudos de neuroimagem. Acessar a revisão científica

Orvell A, Vickers BD, Drake B, et al. Does Distanced Self-Talk Facilitate Emotion Regulation Across a Range of Emotionally Intense Experiences? Clinical Psychological Science. 2021;9(1):68-78. Dois experimentos investigaram se os efeitos da fala autodistanciada se mantinham diante de experiências negativas de diferentes intensidades e níveis de vulnerabilidade emocional. Acessar o estudo

Webster CT, et al. An event-related potential investigation of distanced self-talk. 2022. O estudo realizou uma replicação direta de achados eletrofisiológicos anteriores, observando redução do potencial positivo tardio durante a fala autodistanciada sem aumento do marcador de processamento antecipatório avaliado. Acessar o estudo

Nook EC, et al. Emotion Regulation is Associated with Increases in Linguistic Measures of Both Psychological Distancing and Abstractness. Estudo publicado em 2024 que investigou como características linguísticas associadas à distância psicológica mudam durante a regulação emocional. Os resultados são relevantes como evidência de associação e não devem, isoladamente, ser interpretados como prova de causalidade. Acessar o estudo completo

Lau CYH, et al. Effects of positive reappraisal and self-distancing on the meaning of negative life experiences over time. 2023. Este estudo é particularmente importante para uma leitura equilibrada da literatura porque a manipulação de autodistanciamento não reduziu significativamente a reatividade emocional nas medidas avaliadas, evidenciando que os resultados não são uniformes entre diferentes paradigmas. Acessar o estudo completo

O mecanismo que faz você duvidar de si mesmo

Continue esta reflexão

Entenda por que você duvida de si mesmo

Receba gratuitamente um dossiê para reconhecer padrões invisíveis que enfraquecem sua confiança e distorcem sua autopercepção.

Receba gratuitamente

Informe seu e-mail para receber o acesso imediatamente.

Sem excesso de mensagens. Cancele quando quiser.

Envio realizado Seu dossiê foi enviado. Em alguns instantes, verifique sua caixa de entrada. Caso não o encontre, confira também as abas Promoções ou Spam.