Como praticar o ileísmo no dia a dia: um guia baseado na ciência

Você já percebeu como é fácil dar um bom conselho para outra pessoa, mas muito mais difícil encontrar clareza quando o problema é seu? Essa diferença acontece porque nossas emoções influenciam a forma como pensamos, especialmente em situações de estresse, conflito ou insegurança.

Nos últimos anos, pesquisadores da psicologia investigaram uma estratégia simples que pode ajudar a criar uma pequena distância psicológica em relação aos próprios pensamentos: o ileísmo. Em vez de utilizar “eu” durante o diálogo interno, a pessoa passa a usar o próprio nome ou a terceira pessoa, como se estivesse aconselhando alguém de fora.

Embora essa mudança pareça apenas um detalhe da linguagem, estudos sugerem que ela pode facilitar o chamado autodistanciamento psicológico, um processo associado a uma regulação emocional mais eficiente e a decisões potencialmente mais equilibradas. No entanto, os pesquisadores ressaltam que essa técnica não substitui tratamentos psicológicos nem elimina emoções negativas, sendo considerada uma ferramenta complementar de autorreflexão.

Neste guia, você entenderá o que é o ileísmo, como ele funciona, quais benefícios já possuem respaldo científico e como praticá-lo no dia a dia de forma simples e consciente.

O que é ileísmo?

O ileísmo é a prática de referir-se a si mesmo utilizando o próprio nome ou pronomes na terceira pessoa, em vez da primeira pessoa.

Presente

Por exemplo, em vez de pensar:

  • “Eu preciso resolver esse problema.”

A pessoa reformula o pensamento para:

  • “Como o João pode resolver esse problema?”

Na psicologia, esse uso intencional da linguagem é estudado porque parece modificar a perspectiva pela qual analisamos uma situação emocionalmente difícil. Em vez de permanecer totalmente imerso na experiência, passamos a observá-la como um conselheiro externo.

Essa hipótese foi investigada em uma série de experimentos conduzidos por Ethan Kross e colaboradores, que demonstraram que utilizar o próprio nome durante o diálogo interno favorece um processamento mais distanciado de situações estressantes e melhora o desempenho em tarefas de autorregulação emocional. Kross et al. (2014) – Journal of Personality and Social Psychology.

Nota científica: Embora este artigo utilize o termo ileísmo, a maior parte da literatura científica emprega a expressão em inglês third-person self-talk (“diálogo interno em terceira pessoa”). Os estudos citados investigam principalmente o uso deliberado do próprio nome ou da terceira pessoa como estratégia de autodistanciamento psicológico, e não o ileísmo como figura de linguagem em sentido amplo.

 

Por que algumas pessoas falam de si na terceira pessoa?

Nem sempre o ileísmo tem a mesma finalidade.

Em crianças pequenas, falar usando o próprio nome faz parte do desenvolvimento da linguagem. Em outras situações, figuras públicas podem utilizar essa forma de expressão como recurso retórico.

Já na psicologia experimental, o interesse está no uso deliberado da terceira pessoa como ferramenta de autodistanciamento. A ideia é criar uma pequena separação entre quem vive a experiência e quem a observa mentalmente, favorecendo uma análise menos impulsiva.

Pesquisas conduzidas por Ozlem Ayduk e Ethan Kross mostram que o autodistanciamento tende a reduzir a ruminação e favorecer reflexões mais adaptativas após experiências negativas. Ayduk & Kross (2010) – Journal of Personality and Social Psychology.

Ileísmo é normal ou um problema?

Quando utilizado conscientemente como estratégia de reflexão, o ileísmo não é considerado um transtorno psicológico.

Os estudos científicos que investigam essa técnica analisam seu uso em contextos específicos, como situações de estresse, ansiedade diante de tarefas desafiadoras ou tomada de decisão. Nesses cenários, falar consigo mesmo usando o próprio nome é empregado como um exercício cognitivo, e não como uma alteração patológica da linguagem.

Naturalmente, se uma pessoa apresenta alterações persistentes da fala associadas a outros sintomas neurológicos ou psiquiátricos, a situação deve ser avaliada por um profissional de saúde. O ileísmo, isoladamente, não permite diagnosticar qualquer transtorno.

O que a ciência diz sobre o ileísmo?

Grande parte do conhecimento científico sobre o tema foi produzida pelo grupo de pesquisa liderado pelo psicólogo Ethan Kross, da Universidade de Michigan, referência internacional no estudo do diálogo interno e da regulação emocional.

Os experimentos indicam que pequenas mudanças na forma como conversamos conosco podem alterar a maneira como processamos emoções difíceis. Em vez de utilizar “eu”, recorrer ao próprio nome parece favorecer uma postura semelhante à adotada quando aconselhamos outra pessoa.

Em um dos estudos mais conhecidos, participantes que utilizaram o próprio nome durante tarefas de reflexão apresentaram respostas mais adaptativas diante de situações estressantes quando comparados àqueles que utilizaram a primeira pessoa. Kross et al. (2014).

O conceito de autodistanciamento

O autodistanciamento é a capacidade de observar pensamentos, emoções e experiências a partir de uma perspectiva menos centrada no “eu”. Em vez de reviver mentalmente uma situação como protagonista, a pessoa procura analisá-la como um observador.

Segundo Ayduk e Kross, essa mudança de perspectiva pode diminuir a ruminação, favorecer interpretações mais construtivas e reduzir a intensidade das emoções negativas em diferentes contextos experimentais. Ayduk & Kross (2010).

Como o ileísmo influencia as emoções

Além dos estudos comportamentais, pesquisadores também utilizaram eletroencefalografia (EEG) e ressonância magnética funcional (fMRI) para investigar como o cérebro responde ao diálogo interno em terceira pessoa.

Os resultados sugerem que utilizar o próprio nome durante a autorreflexão pode reduzir indicadores neurais associados ao processamento emocional sem aumentar significativamente marcadores relacionados ao esforço de controle cognitivo. Isso indica que a estratégia pode favorecer a regulação emocional de forma relativamente automática. Moser et al. (2017) – Scientific Reports.

O que dizem as revisões mais recentes?

Embora diversos experimentos apresentem resultados promissores, uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2023 concluiu que o autodistanciamento tende a produzir benefícios pequenos a moderados na regulação emocional. Os autores destacam, entretanto, que ainda existe heterogeneidade entre os estudos e que novas pesquisas são necessárias para compreender quais pessoas e situações se beneficiam mais dessa estratégia. Murdoch et al. (2023) – Revisão sistemática e meta-análise.

Benefícios de praticar o ileísmo no dia a dia

O ileísmo não promete eliminar emoções negativas nem transformar a personalidade. Seu principal objetivo é facilitar o autodistanciamento psicológico, permitindo que a pessoa observe uma situação com mais objetividade antes de reagir.

As pesquisas disponíveis indicam benefícios consistentes em contextos experimentais, embora a magnitude desses efeitos varie entre indivíduos e situações. A revisão sistemática mais recente concluiu que o autodistanciamento tende a produzir efeitos pequenos a moderados sobre a regulação emocional, reforçando a necessidade de interpretar os resultados com equilíbrio. Murdoch et al. (2023) – Revisão sistemática e meta-análise.

Redução da intensidade emocional

Quando estamos envolvidos em um problema, é comum interpretar a situação exclusivamente pela perspectiva das emoções do momento. Esse estado pode dificultar a avaliação objetiva dos fatos.

Ao utilizar o próprio nome durante o diálogo interno, cria-se uma pequena distância psicológica que pode reduzir a intensidade da resposta emocional inicial. Em estudos utilizando eletroencefalografia (EEG) e ressonância magnética funcional (fMRI), pesquisadores observaram que essa estratégia esteve associada à diminuição de indicadores neurais relacionados ao processamento emocional, sem aumento significativo do esforço cognitivo. Moser et al. (2017) – Scientific Reports.

Menor tendência à ruminação

A ruminação é caracterizada pela repetição persistente de pensamentos negativos sobre acontecimentos passados ou preocupações futuras. Em vez de favorecer soluções, esse padrão costuma prolongar o sofrimento emocional.

Estudos conduzidos por Ayduk e Kross mostram que refletir sobre experiências negativas a partir de uma perspectiva distanciada reduz a tendência à ruminação e favorece interpretações mais construtivas dos acontecimentos. Ayduk & Kross (2010) – Journal of Personality and Social Psychology.

Maior clareza para tomar decisões

Uma das hipóteses mais interessantes sobre o ileísmo é que ele ajuda o cérebro a analisar problemas pessoais de forma semelhante à utilizada quando aconselhamos outra pessoa.

Em um conjunto de experimentos, participantes que utilizaram o próprio nome durante situações de estresse apresentaram respostas mais equilibradas e melhor desempenho em tarefas de autorregulação quando comparados àqueles que utilizaram apenas a primeira pessoa. Kross et al. (2014) – Journal of Personality and Social Psychology.

Possível melhora no raciocínio diante de conflitos pessoais

Outro campo relacionado ao autodistanciamento investiga um fenômeno conhecido como Paradoxo de Salomão. Ele descreve a tendência de sermos mais sábios ao analisar os problemas dos outros do que os nossos próprios.

Pesquisas sugerem que adotar uma perspectiva mais distanciada reduz essa diferença e favorece um raciocínio mais equilibrado em conflitos interpessoais. Grossmann & Kross (2014) – Psychological Science.

Como praticar o ileísmo no dia a dia

Uma das vantagens dessa técnica é sua simplicidade. Não é necessário treinamento específico nem equipamentos. O ileísmo pode ser incorporado ao diálogo interno em poucos segundos.

1. Faça perguntas utilizando seu próprio nome

Em vez de pensar:

  • “O que eu devo fazer agora?”

Experimente formular a pergunta utilizando seu nome.

  • “O que a Mariana faria nesta situação?”
  • “Qual seria a melhor decisão para o Rafael?”
  • “Como o Carlos pode resolver esse problema com mais calma?”

Essa pequena mudança favorece uma postura semelhante à de um observador externo.

2. Reescreva pensamentos automáticos

O diálogo interno costuma ser rápido e automático. Quando ele assume um tom excessivamente crítico, pode aumentar o sofrimento emocional.

Por exemplo:

  • “Eu fracassei.”
  • “Nunca faço nada certo.”
  • “Não vou conseguir.”

Esses pensamentos podem ser reformulados para:

  • “O que aconteceu para a Juliana cometer esse erro?”
  • “O que ela pode aprender com essa experiência?”
  • “Qual seria o próximo passo mais útil?”

O objetivo não é negar o problema, mas analisá-lo de maneira mais racional e menos autocondenatória.

3. Utilize a técnica antes de decisões importantes

O ileísmo tende a ser mais útil quando existe um conflito entre emoção e razão.

Antes de responder uma mensagem enviada durante uma discussão, tomar uma decisão financeira importante ou enfrentar uma conversa difícil, faça uma pausa e pergunte:

  • “Qual conselho eu daria para alguém na mesma situação?”

Em seguida, substitua “alguém” pelo seu próprio nome.

Essa estratégia pode ampliar a percepção das consequências antes da tomada de decisão.

4. Pratique durante momentos de estresse

O autodistanciamento é particularmente útil quando as emoções estão intensas.

Você pode recorrer ao ileísmo em situações como:

  • conflitos familiares;
  • discussões no trabalho;
  • ansiedade antes de uma apresentação;
  • frustração após cometer um erro;
  • incerteza diante de uma decisão importante.

Nesses momentos, utilizar o próprio nome pode funcionar como um lembrete para desacelerar a reação automática e refletir antes de agir.

5. Combine o ileísmo com outras estratégias baseadas em evidências

Os pesquisadores não consideram o ileísmo uma solução isolada para dificuldades emocionais.

Na prática, ele pode ser utilizado em conjunto com intervenções que possuem evidências mais consolidadas para promoção da saúde mental, como psicoterapia, exercícios de escrita reflexiva, técnicas de respiração, atividade física regular e práticas de mindfulness quando adequadas ao contexto individual.

Essa combinação tende a ampliar as possibilidades de desenvolver maior autoconsciência e regulação emocional ao longo do tempo.

Como praticar o ileísmo no dia a dia - INFOGRÁFICO

O que o ileísmo não faz

Não substitui acompanhamento psicológico

Embora existam evidências promissoras sobre seus efeitos, o ileísmo não deve ser interpretado como tratamento para ansiedade, depressão ou outros transtornos mentais. Pessoas que apresentam sofrimento psicológico persistente devem buscar avaliação de profissionais qualificados.

Não elimina emoções negativas

Sentir tristeza, medo, frustração ou raiva faz parte da experiência humana. O objetivo da técnica não é impedir essas emoções, mas criar condições para responder a elas de forma mais consciente.

Não funciona da mesma maneira para todas as pessoas

Os próprios autores das revisões mais recentes destacam que ainda existem diferenças importantes entre os estudos publicados. Novas pesquisas deverão esclarecer quais indivíduos e quais contextos apresentam maior probabilidade de se beneficiar do autodistanciamento. Murdoch et al. (2023).

O que sabemos × O que ainda não sabemos sobre o ileísmo

Como acontece com diversas estratégias estudadas pela psicologia, o ileísmo apresenta evidências promissoras, mas ainda existem perguntas importantes a serem respondidas. Separar o que já foi demonstrado do que continua em investigação ajuda a interpretar os resultados com mais equilíbrio.

O que sabemos

  • Utilizar o próprio nome durante o diálogo interno favorece o autodistanciamento psicológico, permitindo analisar situações estressantes sob uma perspectiva menos autocentrada.Kross et al. (2014).
  • Estudos com EEG e ressonância magnética funcional sugerem que o diálogo interno em terceira pessoa pode reduzir indicadores de reatividade emocional sem aumentar significativamente o esforço cognitivo.Moser et al. (2017).
  • O autodistanciamento está associado à redução da ruminação e à reflexão mais adaptativa diante de experiências negativas.Ayduk & Kross (2010).
  • A revisão sistemática mais recente concluiu que o autodistanciamento apresenta efeitos pequenos a moderados sobre a regulação emocional, embora exista heterogeneidade entre os estudos disponíveis.Murdoch et al. (2023).

O que ainda não sabemos

  • Quais pessoas respondem melhor ao ileísmo.
  • Se os benefícios permanecem após meses ou anos de prática.
  • Qual é a frequência ideal para utilizar essa estratégia.
  • Como ela pode ser integrada às diferentes modalidades de psicoterapia.
  • Se seus efeitos são semelhantes em diferentes culturas e faixas etárias.

Essas questões continuam sendo investigadas e demonstram que o ileísmo é um campo de pesquisa em evolução.

Checklist: como praticar o ileísmo em menos de um minuto

  • Pare por alguns segundos antes de reagir.
  • Substitua “eu” pelo seu próprio nome.
  • Pergunte: “O que o(a) [seu nome] faria nesta situação?”
  • Imagine que está aconselhando um amigo.
  • Escolha a decisão que melhor represente seus valores, e não apenas sua emoção do momento.

Esse exercício leva menos de um minuto e pode ser repetido sempre que surgir uma situação emocionalmente desafiadora.

Conclusão

O ileísmo é uma estratégia simples de diálogo interno que consiste em utilizar o próprio nome durante a autorreflexão. Embora pareça apenas uma mudança na linguagem, pesquisas em psicologia indicam que essa técnica pode favorecer o autodistanciamento, reduzindo a influência das emoções sobre o raciocínio em determinadas situações.

Ao mesmo tempo, as evidências disponíveis mostram que seus efeitos são modestos e dependem do contexto. O ileísmo não elimina emoções negativas, não substitui psicoterapia e não deve ser encarado como uma solução universal. Seu maior potencial está em funcionar como uma ferramenta prática para interromper reações automáticas e estimular decisões mais conscientes.

Quando combinado com hábitos saudáveis, autoconhecimento e intervenções baseadas em evidências, o ileísmo pode se tornar mais um recurso útil para desenvolver equilíbrio emocional no cotidiano.

Perguntas frequentes (FAQ)

O ileísmo realmente funciona?

Os estudos experimentais indicam que falar consigo mesmo utilizando o próprio nome pode favorecer o autodistanciamento e melhorar a regulação emocional em determinadas tarefas. Entretanto, os efeitos observados são, em geral, pequenos a moderados e variam entre indivíduos. Murdoch et al. (2023).

Falar consigo mesmo na terceira pessoa é saudável?

Quando utilizado conscientemente como estratégia de reflexão, esse comportamento não é considerado um transtorno psicológico. O contexto em que ocorre é fundamental para sua interpretação.

O ileísmo ajuda na ansiedade?

Ele pode facilitar a regulação emocional em situações estressantes, mas não substitui tratamentos psicológicos ou médicos para transtornos de ansiedade.

Qual é a diferença entre ileísmo e autodistanciamento?

O ileísmo é uma técnica linguística. O autodistanciamento é o processo psicológico que essa técnica procura estimular. Ou seja, o ileísmo é um dos caminhos possíveis para alcançar o autodistanciamento.

Existe algum risco em utilizar essa técnica?

Até o momento, não existem evidências de que o uso ocasional e consciente do ileísmo seja prejudicial. Ainda assim, ele deve ser entendido como uma estratégia complementar de autorregulação emocional, e não como tratamento para transtornos mentais.

Leitura relacionada:

  • Quer entender o tema com ainda mais profundidade? Leia também nosso guia completo sobre ileísmo, onde explicamos o que é essa técnica, como ela funciona e o que as pesquisas científicas revelam sobre falar consigo mesmo na terceira pessoa.

Referências Científicas

  • Ayduk O, Kross E. From a distance: implications of spontaneous self-distancing for adaptive self-reflection. Journal of Personality and Social Psychology. 2010.
    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20438226/
  • Kross E, Bruehlman-Senecal E, Park J, et al. Self-talk as a regulatory mechanism: how you do it matters. Journal of Personality and Social Psychology. 2014.
    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24467424/
  • Grossmann I, Kross E. Exploring Solomon’s Paradox: Self-distancing eliminates the self–other asymmetry in wise reasoning about close relationships. Psychological Science. 2014.
    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24916084/
  • Moser JS, Dougherty AE, Mattson WI, et al. Third-person self-talk facilitates emotion regulation without engaging cognitive control: converging evidence from ERP and fMRI. Scientific Reports. 2017.
    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28674404/
  • Murdoch EM, Chapman MT, Crane MF, Gucciardi DF. The effectiveness of self-distanced versus self-immersed reflections among adults: a systematic review and meta-analysis. Stress and Health. 2023.
    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36166459/
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